Wellington Feitosa de Vasconcelos – a mesa ficou vazia

A COLUNA DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

Ontem, eu que estou tentando fazer o Mês Mariano, ou seja, assistir à uma missa durante todo o mês de maio, ao findar dessa, desci a pequena ladeira da Matriz de Nossa Senhora de Fátima e fui na Praça João Pessoa, descendo até o famoso bar de Dércio, o Deuço’s.

Ao chegar lá, como que caí na real: o mais assíduo frequentador do nosso bar de vizinhança, a melhor conversa da Praça, meu amigo de tanto tempo atrás que sequer me lembro de quando, o grande Wellington Feitosa de Vasconcelos já não se encontrava entre nós. E eu tinha vindo exatamente de seu enterro e depois da sua missa de falecimento, mas, na realidade, eu queria que aquilo tudo fosse mentira e eu como que o encontrasse no lugar em que sempre frequentou. Aí – e somente aí – caiu a ficha de que Wellington se tinha ido.

Vamos tentar rememorar os fatos. Lá pelo início da década de 1970, haviam dois primos, Zé Paulo e Wellington, que a gente apelidava de Jerry, pois ele tinha alguma semelhança com o cantor Jerry Adriani – que eu mesmo nunca vi… Cada um tinha uma namorada: no caso de Zé Paulo era Marta, Wellington era Edna, uma das “meninas de Monte Horebe”, que tinham vindo aqui residir e eram todas bonitas e extremamente simpáticas e hoje são muito mais cajazeirenses que qualquer um de nós. Uma dessas, Edna, era namorada de Wellington e ele, todas as noites, faziam juntos longas caminhadas da Praça João Pessoa até a Catedral e voltavam e ele a ia deixar em casa, que se situava nas imediações do Colégio Dom Moisés Coêlho – isso todas as noites.

O tempo passou e esse namoro virou casamento e vieram os filhos. Nosso amigo se estabeleceu como funcionário da então UFPB, hoje UFCG, e era companheiro constante de nossas farras e exageros quando a gente era jovem.

Vieram a residir na Rua Dr. Aprígio de Sá por muito tempo. Nesse tempo, Wellington se consolidou não como um funcionário da Universidade, mas como “o” funcionário. Para mim, bem como para muita gente, era a referência dessa Universidade e teve papel de muito destaque na criação do V Campus da UFPB, bem como do seu desmembramento consequente, a fundação da UFCG.

Quando a gente resolveu, lá pela década de 80 irmos frequentar o bar de Dércio, de minha parte, ele que sempre foi chegado a beber socialmente enquanto eu, por exemplo, enchia o tanque, era a sobriedade personificada. Era uma conversa sempre coerente, fundamentada, uma exceção naquele antro de excessos que éramos todos nós.

Vou dar um testemunho de coo ele era solícito: quando meu filho teve negado o direito a utilizar o Restaurante Universitário em Campina Grande, ele ouviu minhas lamentações e disse que iria intervir. O resultado foi que meu filho terminou por ter permissão para fazer refeições no RU, vejam bem, lá em Campina Grande.

Por uma série de motivos, o casamento com Edna chegou a termo e, depois, veio Wellington a desposar uma parenta minha, Lindarleyde, outra pessoa que eu aprendi a gostar e muito, os via com tanta frequência, que a gente começava uma conversa em um bar e depois íamos continuar em sua casa na Praça da Matriz. Isso se deve ao fato de nossa amizade se estender à toda sua família: Pedrinho, Marlon e, especialmente, Regina, que veio a ser esposa de outro grande amigo, Gutemberg. Por todos esses entrelaçamentos, a gente podia se considerar uma “grande família”. O que faltava em laços de sangue, sobrava na ótima convivência.

Era muito bom conviver com Wellington. Digo isso muito emocionado e eu, que sou somente amigo, estou sentindo, imagine como seus irmãos e filhos devem estar se sentindo.

Perdi um grande amigo, desses que somente posso agradecer por ter usufruído parte de sua amizade, mas, para terminar, vou fazer minhas as palavras de Sérgio Bittencourt, numa música em homenagem a seu pai: “Naquela mesa está faltando ele…”.

Vá em paz, Wellington, e fique sabendo que um pouco de nós foi com você também.

P.S.: Dedico esse texto a uma pessoa querida que nos deixou de forma inesperada: Expedito Moreira, uma das pessoas com quem mais eu gostava de conversar nessa cidade, a alegria personificada que, infelizmente, não resistiu ao monstro da depressão. Que Deus o cubra com sua infinita piedade.

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