Vídeos mostram entregas de propinas envolvendo o prefeito de Uiraúna

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Vídeos realizados pela Polícia Federal mostram os momentos em que propinas desviadas de obras da Paraíba são entregues a parlamentares. Em um das imagens, o delator que desencadeou a Operação Pés de Barro, da PF, indica ao prefeito de Uiraúna, na Paraíba, que o dinheiro deve ser entregue a Wilson Santiago (PTB).

operação Pés de Barro foi deflagrada neste sábado (21), contra o deputado federal Wilson Santiago (PTB-PB), e flagrou 12 encontros para entregas de propina por supostos desvios de recursos na construção de uma adutora em Uiraúna, Sertão da Paraíba. Onze foram feitas no estado. O prefeito de Uiraúna, João Bosco Nonato Fernandes, está preso.

Conforme a investigação, a empresa COENCO foi contratada por R$ 24,8 milhões para construir a adutora, após negociações entre Wilson Santiago e o empresário George Ramalho Barbosa, em que ficou acertado, sobre o valor do contrato, o repasse de propinas no montante de 10% para o parlamentar e 5% para o Prefeito de Uiraúna, João Bosco Nonato Fernandes (Dr. Bosco).

Em vídeo gravado pela PF no dia 23 de outubro de 2019, o delato, que é dono da empresa contratada para construir a adultora, conversa com João Bosco Nonato Fernandes dentro de um quarto de hotel na cidade de Sousa, no Sertão da Paraíba. O prefeito entra no quarto, conversa com o colaborador, e recebe a sacola. Segundo a Polícia Federal, dentro da sacola estavam R$ 25 mil e, segundo o delato, o dinheiro era para ser entregue a Wilson Santiago.

Entrou vídeo, no dia 7 de novembro, o secretário parlamentar Israel Nunes de Lima, que trabalhou no gaginete de Wilson Santiago, chega ao aeroporto de Brasília. Ele senta em uma mesa na praça de alimentação junto com o delato, que está com uma mochila. Eles conversam rapidamente e, em seguida, Israel Nunes de Lima vai embora levado a mochila. Segundo a PF, dentro dela estavam R$ 50 mil. O secretário parlamentar seguiu até a Câmara dos Deputados.

De acordo com a PF, o inquérito surgiu de informações obtidas em uma proposta de delação premiada, que está sob sigilo. Neste sábado, a polícia cumpriu mandado de busca e apreensão no gabinete de Wilson Santiago na Câmara dos Deputados, em Brasília. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, que autorizou as buscas, também determinou o afastamento de Santiago do cargo. Além do deputado e do prefeito de Uiraúna, a operação tem outros alvos: três assessores e um funcionário e um empresário de Santiago.

No total, foram 13 mandados de busca e apreensão, em João Pessoa, São João do Rio do Peixe (PB), Uiraúna (PB) e Brasília (DF). Há ordens de afastamento das funções públicas para o deputado e mais seis alvos da operação. Segundo a Polícia Federal, os investigados podem responder pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude licitatória e formação de organização criminosa.

Em nota, Santiago afirma que “o delator busca a todo momento, construir relações que possam nos implicar de forma pessoal e criminalizar o trabalho parlamentar. […] Temos certeza que esse tipo ação criminosa será coibida. Não podemos aceitar que a ação política fique refém dessas práticas. Dessa forma, tomaremos as medidas cabíveis para que a verdade venha à tona, com o esclarecimento das questões objeto da investigação e nossos direitos sejam restabelecidos”.

A defesa de João Bosco disse que está se inteirando dos fatos apontados pela polícia federal para se pronunciar.

Dinheiro na cueca de prefeito

Em imagem feita durante a investigação da Polícia Federal, o Prefeito de Uiraúna, João Bosco, aparece depois de um encontro para entrega de propina com um volume em dinheiro escondido dentro da cueca.

O prefeito foi preso neste sábado, durante o cumprimento de mandados da Operação Pés de Barro, assim como Evani Ramalho e Israel Nunes de Lima, ambos assessores de Santiago, e Severino Batista do Nascimento Neto, motorista do prefeito Bosco.

COM INFORMAÇÕES DO G1
ELIANE BANDEIRA

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