Vida simples que vale a pena ser lembrada

A COLUNA DE RAFAEL HOLANDA

Nasci numa cidade pequena, onde os sentimentos de amizade eram gerados de pais para filhos, principalmente após as contendas políticas. Eu não era na realidade uma boa peça, porém sempre me acompanhei por pessoas do meu nível, ou melhor, para que pudesse gerar um melhor proveito. Os meus pais eram bons, a minha mãe acalmava as tempestades, e meu pai era capaz de dizer o que deveríamos fazer apenas com os olhos.

Uma noite eu estava em casa por volta das vinte e trinta quando minha mãe e disse que eu o esperasse sentado na cadeira e guardasse ao lado uma corda, pois soube uma presepada que tinha cometido durante o dia. As nove e trinta meu pai chegou em casa e me encontrou dormindo na mesa e com a corda do lado ele me acordou e mandou que eu fosse deitar. Neste instante eu senti que o meu pai era na realidade o meu herói e herói só bate em bandidos.

Fiquei a imaginar se ele descobrisse, que varias noite os santinhos Beto que dirigia o jipe, Helio, Dalton, Erivaldo,  Marcelo, Ferreirinha, Estênio e eu fazíamos na decida da Padre Rolim em Cajazeiras, após ingestão de algumas doses de Martíni, mas isto é assunto para depois.

O nosso assunto é a páscoa que mostrava o quanto o nosso povo vivia em plena religiosidade. Na quarta feira de trevas não podíamos tomar banho, Na quinta as difusoras tocavam apenas musicas sacras e todos os bares cinemas cerravam suas portas. Na sexta começava o jejum e visitação a igreja durante toda noite , quando víamos pessoas a chorar como que Cristo tivesse morrido naquele dia, e eles tinham razões, pois sempre pregamos Cristo por nossos atos. Da quarta até sábado era uma alegria total para galinhas, frangos e bois, mas quem sofria eram os peixes.

No domingo após a missa e o padre encontrasse o sangue vivo de Cristo nas paginas da Bíblia, indicava que a vida continuava e Deus tinha perdoado os nossos pecados. Após a missa corríamos em direção ao clube Tênis e Primeiro de Maio para brincar durante todo decorrer do dias com as musicas profanas e depois chegávamos a casa para comer macarrão arroz e uma bela galinha. Este era o verdadeiro painel de uma vida simples que vale a pena ser lembrada.

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