Venda de usina preocupa população de Barbalha


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Arrematada pela Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado (Adece) em leilão realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho do Ceará (TRT/CE) em junho do ano passado ao preço de R$ 15,48 milhões, a Usina Manoel Costa Filho, localizada neste município, poderá ser negociada pelo Governo do Estado para grupos de investidores privados. A informação foi publicada ontem pelo caderno Negócios do Diário do Nordeste, após entrevista concedida pelo presidente da Adece, Roberto Smith.

O equipamento, que estaria na mira de empresários norte-americanos, está desativado desde 2004, devido a dívidas trabalhistas. O valor para recuperação da usina está orçado entre R$ 25 milhões e R$ 35 milhões

Segundo ele, o governo ainda não sabe se disponibilizará a venda de toda a usina ou se haverá participação do Estado com o valor já investido na aquisição do parque industrial, através de futura sociedade. Roberto Smith adiantou que empresários americanos já teriam demonstrado interesse em adquirir a usina. “Existem dois empresários americanos interessados no empreendimento”, disse ele, expondo, ainda, a existência de outras pessoas interessados no negócio. Estes outros empreendedores já teriam, inclusive, mantido contatos com o Conselho de Desenvolvimento Econômico, através do presidente do colegiado, Alexandre Pereira.

A notícia sobre a possível venda da usina a investidores privados gerou surpresa à dezenas de trabalhadores rurais do município que mantinham esperança de emprego, a partir da retomada das atividades de produção no local. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barbalha, Francisco Sérgio Pereira da Silva, avalia que a participação do setor privado na reativação da usina poderá criar inúmeros prejuízos à criação de maior número de oportunidade de empregos e, consequentemente, geração de emprego e renda no município.

“A presença dos investidores privados vai ocasionar a chegada de maquinário responsável pelo trabalho de colheita da cana-de-açúcar. Com isso dezenas de empregos deixarão de existir. Não haverá preocupação em criar mecanismos que resultem em auxílio ao homem do campo, no sentido de ampliar sua qualidade de vida, através da geração do emprego e da renda. A preocupação dos investidores será a de garantir maior fatia de lucros”, avalia.

Desativação – O equipamento está desativado desde 2004, devido a dívidas trabalhistas. Conforme o presidente da Adece, o valor para recuperação da usina está orçado entre R$ 25 milhões e R$ 35 milhões. “Houve uma decisão do governo de que a restauração da usina fique a cargo do empresário que a assuma. A forma como todo o processo será realizado, no entanto, ainda não está definida”, informou Roberto Smith.

O secretário de Agricultura do município, José Elismar de Vasconcelos e Sá, também demonstrou surpresa ao receber a notícia sobre a possível venda da usina pelo Estado. Segundo ele, técnicos da Adece teriam estado em Barbalha, na semana passada, realizando o georreferenciamento do parque industrial. “Eu estive acompanhando os técnicos da Adece no momento em que eles realizavam a georreferência da área onde a usina está instalada e não houve qualquer informação repassada por eles no sentido de possível venda do empreendimento pelo governo. Estou tão surpreso quanto as demais pessoas que esperam o retorno das atividades da usina no sentido de que o município também passe a ser beneficiado”, frisou. Na década de 1990, o empreendimento chegou a empregar 1.600 trabalhadores. Após a aquisição da usina pelo Estado, a previsão era que com o retorno das atividades de produção, pelo menos 250 empregos diretos fossem gerados. “Agora, com essa notícia, a gente não sabe como é que as situações acontecerão. Será preciso aguardar as decisões”, avaliou.

DIÁRIO DO NORDESTE

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