Um povo de memória curta não é dono do seu destino

A COLUNA DE RUI CÉSAR VASCONCELOS LEITÃO

Já dizia Benjamin Constant: “a gratidão tem memória curta”. Principalmente quando o ego da razão fica doente por conta dos sentimentos do egoísmo e do ódio. O coração resiste em reconhecer as verdades de outrora. No Brasil esse esquecimento já é um fenômeno cultural.

E isso é muito conveniente para os políticos de ocasião, aqueles que querem fazer o discurso do presente que contraria a realidade histórica do passado. Na política, quase sempre, prevalece o interesse no presente, com repercussão no futuro, ainda que se opondo a registros de tempos pretéritos, sejam bons ou ruins. A deslembrança permite ignorar o dever de gratidão ou o alerta do perigo. Propositadamente estimula-se a não serem levadas em conta experiências adquiridas por gerações de tempos antigos, ou até não muito antigos. É perceptível o proposito em não tirar proveito de lições da História. Por isso o objetivo de desvirtuá-la ou a desconhecerem, para que mais facilmente possam ser atendidos interesses de alguns, em detrimento do coletivo.

Desconsiderar a memória é correr o risco de pagar um preço muito alto. Tanto quando rejeita fatos positivos de antes, como quando esquece tragédias vividas no passado. É a fórmula ideal da alienação. O cidadão marcha enganado por sua curta memória. Os corruptos apostam sempre nisso.

Quanto menos formos lembrados das verdades históricas, mais ficaremos reféns dos aproveitadores das circunstâncias. A História jamais pode ser desvalorizada. Um povo de memória curta não é dono do seu destino.

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