UFCG cresce 145% em dez anos


No dia 9 de abril de 2002, surgia a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) que desde então vem se expandindo

Há dez anos, a comunidade campinense comemorava a conquista de um patrimônio que hoje é referência no ensino e na pesquisa e ajuda a divulgar positivamente o nome da cidade e do Estado para todo o mundo. No dia 9 de abril de 2002, surgia a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) que desde então vem se expandindo. Somente em números de vagas no ensino superior o crescimento foi de 145% até este ano.

A instituição, que antes era atrelada à Universidade Federal da Paraíba (UFPB), seria a princípio uma universidade apenas campinense, mas acabou abrangendo o interior do Estado. Atualmente, está presente também nos municípios de Patos, Cajazeiras, Sousa, Pombal, Sumé e Cuité.

“Se tivéssemos apenas o campus de Campina Grande, sem dúvida, o avanço em diversos aspectos, teria sido maior, pois é mais fácil gerir uma estrutura menor. Por outro lado, foi importante nossa expansão. Todos os campi ajudaram a consolidar a UFCG e demonstraram que querem permanecer conosco, quando foram consultados acerca da criação da Universidade do Sertão”, avalia o reitor da instituição, Thompson Mariz.

O presidente da Associação dos Docentes da UFCG (ADUFCG), professor Gonzalo Rojas, reconhece os avanços obtidos na universidade nesses 10 anos de história, mas defende um maior envolvimento dela com os problemas sociais. “A universidade precisa sair dos seus próprios muros”, ressalta.

Ele disse que o grande desafio da UFCG é crescer em tamanho, mantendo o nível de qualidade que se espera dela. “A expansão não pode prejudicar as condições de trabalho dos docentes. Esse é um problema de ordem nacional. Defendemos um novo modelo de desenvolvimento que possa tornar a UFCG mais ativa, crítica, democrática, participativa e a serviço do trabalhador e da sociedade brasileira. Nossa missão é propositiva”, argumenta.

Thompson reconhece a legitimidade de protestos realizados por estudantes, que cobram uma melhor estrutura dos cursos, principalmente situados fora de Campina Grande, e ressalta que investimentos vêm sendo feitos e é necessário avançar ainda mais.

“Uma ação do bem pode ser inviabilizada e desconsiderada em função de atrasos em sua realização, transformando-se em ação do mal? Creio que não. Não é possível que uma telha caia, mesmo sem ferir alguém, e repercuta mais na mídia do que uma ação benéfica”, diz ao se referir aos protestos que vêm sendo realizados nos últimos tempos por estudantes da instituição, que, segundo ele, acabam ganhando mais destaques do que os feitos da universidade.

Expansão foi ‘suspensa’ pelo governo

O Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), em 2005, foi crucial para que a UFCG se expandisse para Pombal, Sousa e Sumé, ampliando o número de cursos nos campi já existentes. Mas atualmente a política de expansão universitária está suspensa, uma vez que o Governo Federal decidiu priorizar o ensino técnico, através da criação dos institutos federais (IFs).

“Tínhamos vários planos de construir novos campi, mas tivemos que abandona-los devido à nova política do governo. Vários municípios só foram contemplados com IFs porque já existia um campus universitário projetado pela UFCG, a exemplo de Itabaiana, Itaporanga e Esperança. Abrimos mão deles, comunicamos aos prefeitos, que depois nos agradeceram pela sensibilidade”, disse o reitor Thompson Mariz.

Ele disse que as expansões só terão continuidade quando a presidente Dilma Rousseff fizer o Reuni 2. Ele conta que a nova política federal, que deverá ser divulgada em breve, começará incentivando a criação de cursos médicos, devido à carência desses profissionais no país. Mas a UFCG não deve aderir a essa estratégia.

“Já temos 90 vagas anuais em Campina Grande, que são suficientes. Enquanto a rede de saúde publica das cidades não melhorarem, oferecendo estrutura de formação para internatos, não temos como avançar no ensino da medicina no Estado. No Sertão, a realidade parece que está começando a ser mudada. Mas pelo menos por enquanto não devemos expandir as vagas no curso de medicina em Cajazeiras”, justificou Thompson.

Caso o Reuni 2 se concretize, ele disse que a prioridade é investir nos campi já existentes, de maneira que todos eles possam atingir o número mínimo de 10 cursos superiores. O objetivo também é possibilitar a criação de polos universitários nas cidades próximas onde a UFCG já está presente.

Com reportagem de Alberto Simplício para o Jornal da Paraíba

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