[THOMPSON MARIZ] A favor da adesão da UFCG à EBSERH


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Com o respeito que todas as manifestações devem ter, a reitoria da UFCG, mais uma vez, de forma democrática, respeitou e em nenhum momento coibiu qualquer ato das Entidades que ali se aglomeraram para protestar contra a adesão à EBSERH.
Para mim, que sempre defendi publicamente essa adesão, mas também sempre respeitei a decisão contrária do Colegiado Pleno, me parece que não dá mais para sustentar essa situação.
Os motivos alegados pelas Entidades, que se dizem representantes do SUS, não se sustentam, nenhum deles. A EBSERH é uma Empresa Pública, vinculada ao MEC, que veio para resolver as enormes carências deixadas por governos anteriores ao do ex-Presidente LULA, que sucatearam não só as Universidades, mas sufocaram os HUs de tal sorte que eles (políticos e burocratas de então) pudessem, em certo momento, ter motivos para apresentarem à Sociedade Brasileira sobre a inviabilidade de manter os HUs e, por conseguinte, leiloarem cada um, privatizando-os.
Não contavam, certamente, com a intervenção sempre lúcida do Ministro, hoje Prefeito de São Paulo, Prof. Dr. Fernando Haddad, ao criar, nas Universidades Federais, um programa vigoroso de expansão das vagas públicas federais, seja por meio do aumento do número de cursos ou campi universitários nas universidades que apresentassem projetos consistentes (REUNI), seja aumentando o número de bolsas do FIES, além da não menos inteligente criação do PROUNI; bem assim, similarmente, para resolver a questão dos 26 mil servidores terceirizados nos mais diversos HUs do País – alguns desses servidores com mais de 25 anos de casa, recebendo salários humilhantes e expostos aos interesses mais mesquinhos e humilhantes das Empresas Prestadoras de Serviços – e das aposentadorias dos profissionais da área de saúde oriundos do antigo INAMPS, vinculados ao Ministério da Saúde, cedidos ao MEC, genialmente, criou uma Empresa Pública (EBSERH), tal qual existe na legislação brasileira, a exemplo da Caixa Econômica, Correios, Embrapa (responsável pelos extraordinários avanços da agricultura brasileira), entre outras.
Assim, não cabe aqui elencar os inúmeros equívocos que essa “meia dúzia de cinco” contumazes manifestantes alardeiam publicamente, desde o ano de 2012. São militantes vinculados a Partidos Políticos sem nenhuma representação ou expressão eleitoral, são sindicalistas, muitos morcegos do poder e insatisfeitos com possíveis perdas com as mudanças que precisam ser feitas, associados a uma parcela desinformada da Sociedade Civil, que tentam barrar a recuperação do Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), que está na UTI a cerca de três anos. Perguntem a Secretaria de Saúde do Município de Campina Grande, ou peçam o Relatório da Comissão Mista do MEC e MS que aqui esteve no segundo semestre do ano passado, e todos verão que o HUAC está em vias de ser descredenciado (opinião pessoal) e se o for, pasmem: não pode mais nem fazer a contratualização com a Prefeitura de Campina. Se isso vier a acontecer, há que se perguntar: com que recursos ele sobreviverá?
Outra vertente importante é que quando mais se precisa da ampliação do HUAC, a atual Diretoria teima em reduzir seus serviços. Se antes já estava difícil atender as demandas dos alunos por Estágios, com o funcionamento apenas do curso de Medicina de Campina Grande, imaginem como está agora com a criação e funcionamento dos cursos de Psicologia e Enfermagem (no Campus de Campina Grande), Nutrição, Farmácia e Enfermagem (no Campus de Cuité) e Enfermagem e Medicina (no Campus de Cajazeiras)! Ou seja, vislumbro um cenário de conflito, sobretudo porque aqui se insere, adicionalmente, a conclusão da federalizarão do HUJB (Hospital Universitário Júlio Bandeira, em Cajazeiras), além da construção de um Hospital Federal, com 200 leitos, orçado em cerca de R$ 170.000.000,00 na mesma cidade, que seria um marco na história da saúde da Paraíba, já que não se tem noticia de que feitos dessa grandeza tenham sido realizados pelo o Governo Federal na Paraíba, pelo menos nos últimos 50 anos.
Esse complexo hospitalar no Sertão, certamente, além da benéfica prestação de serviço aos excluídos e desafortunados sertanejos, além de salvar vidas, desafogaria os hospitais da Capital e de Campina, e se constituiria num local extraordinário para formação de profissionais da área de saúde, com excelente qualidade, de todas as instituições de ensino superior ali presentes.
Não vou bater boca com quer que seja. Todos têm o direito de pensar diferente de mim, assim como eu tenho o legitimo direito de assim pensar e lutar para que essa conquista seja breve, rápida, urgente, considerando que não dá mais para esperar.
Somos a única Universidade que ainda não aderiu e não acredito que sejamos a única que esteja certa nesse processo.
Se você ler nesse espaço algum pensamento contrário ao meu, fique tranquilo, é absolutamente legitimo, mas se ele vier recheado de insultos, pode acreditar, é porque quem escreveu não tem razão. Vocês já sabem, quando não se tem razão parte-se para a agressão. Ainda bem que este não é o caso dos que defendem o melhor para a Paraíba. Melhor dizendo: os que defendem a adesão da UFCG à EBSERH.
Grande abraço a todos.
PAZ!

THOMPSON MARIZ É EX-REITOR DA UFCG

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