Sonhos: sexta parte

A COLUNA DE IVÂNIA CRISTINA LIMA MOURA

Conforme prometido, o sonho que veio em formato quadriculado. Aqui está. Na realidade, era sonho. Na realidade, eram sonhos dentro de um sonho. Entrei em diversos quadrados: parecia não me importar, pois cada um combinava com o outro. Faziam-se dados, cubos. Eram quadrados ambulantes. Pulavam, jogavam.

Veio uma linha e se materializou numa xícara quadrada. Logo um líquido apareceu, da cor de café, com o cheiro de café. Passou por mim. Tomou a forma quadrada, claro. No meu lado direito, surgiram os mesmos quadrados em forma de gelo. Desapareceram em milésimos de milésimos de segundos. Segui numa calçada. Num dos quadrados, resolvi entrar numa caixa. Havia livros. Não perguntei de quem eram os livros. Fiquei ali, a folhear, quando, num segundo, surgiu um cantarolar. Tentei fazer a codificação. Era canto de passarinho. Muito bem afinado e musicalizado: um samba. O passarinho veio voando em quadrados e se espalhou no livro: virou gravura da página central. Não entendi se ele morreu ou nasceu. Engraçado. Eu tinha sonhado com passarinhos, dia desses. Eram centenas. Nenhum deles emitia som. Este, em específico, do sonho quadriculado, cantava tão bonito, mas tão bonito, que por um momento achei que fosse realidade. Era sonho. Eu tinha que entender ali que estava sonhando. Mas, tinha mesmo, não sei. Não sei.

Em melodias sequenciais, o passarinho se perpetuou. Resistiu ao tempo do livro. Entrei noutra caixa, que ficava em cima de um planalto. Era tudo muito claro e horizontalmente distante. Nos quatro pontos cardeais, dados se jogavam. Era a apresentação de uma banda. Ouvi. De repente, engasguei-me com a saliva. Dizem: não é bom presságio. Mas isso era no sonho. Como saber se no sonho era ou não um aviso de algo para acontecer.

Tomei fôlego. Entrei noutra caixa. Havia um calendário enorme com o jogo do bicho. Enorme. Enorme que eu digo é da altura da torre da Catedral. Parecia que uma multidão estava marchando em minha direção. Vieram nas minhas mãos alguns dados. Eu teria que acertar num dos números. Olhei para o chão: muitos dados. Era uma piscina cheia, cheinha. Se eu teria que jogar todos, não sei. Não adiantava perguntar. Não sei. Mas tive vontade de jogar e acertar numa das figuras do calendário. Joguei. Acertei. Águia.

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *