[SIRO DARLAN] Cajazeiras, meu amorzinho


Voltei a minha terra natal após mais de sessenta anos e encontrei uma Cidade Universitária “que ensinou a Paraíba a ler”, com um dos melhores índices de desenvolvimento humano do Estado e o melhor do sertão. Cajazeiras, cidade nascida ao redor de um Colégio fundado pelo Padre Inácio de Souza Rolim ainda no século XIX, onde estudaram diversas personalidades, dentre as quais o futuro santo do sertão, o reverenciado Padre Cícero.

Hoje essa cidade que nasceu com vocação para a educação é um dos mais importantes polos educativos do Nordeste possuindo cinco universidades e 35 cursos superiores, onde são acolhidos mais de quinze mil estudantes universitários do sertão e de outros estados da federação. Inspirada desde seu berço por uma mulher, a mãe Aninha, mãe de seu fundador Padre Rolim, é governado atualmente por uma progressista prefeita Dra. Denise de Oliveira que tem investido prioritariamente na educação, saúde e saneamento básico.

Cajazeiras atingiu um índice invejável de educação básica que alcançou 3,9 nas séries iniciais e 3,0 para os anos finais do ensino fundamental, com uma reduzida taxa de mortalidade infantil que alcançou 18,7 por mil nascidos vivos. É motivo de alegria ver que por onde passaram os cangaceiros combatendo o autoritarismo e os arbítrios dos coronéis, agora viceja a educação como o mais importante instrumento de combate às desigualdades sociais.

Do miolo de alto sertão, há 468 km da Capital e como uma população de quase 70 mil habitantes floresceu uma Cidade Universitária que mantém sua tradição histórica com a educação. Não nasceu dos currais, nem dos garimpos, nem das senzalas, nem do egoísmo dos bandeirantes, mas do prolongamento de um Colégio. Transformou-se em berço da liberdade e mantém-se fiel ao altruísmo de seu fundador que lançou os olhos no futuro daquele sertão árido vislumbrando que só através da educação poderia libertar o seu povo da ignorância e da exploração dos mais fortes. Essa foi a sua filosofia para comprovar que o sertanejo é antes de tudo um forte.

Com muito orgulho respirei meu primeiro oxigênio exalado das folhas e frutos dos pés de cajá que deram nome à cidade e atribuo muito de milha personalidade aos homens que nascendo em solo fértil e vindo lá do sertão, enfrentando a seca e as intempéries, aprendendo a dizer não quando tem que ser dito, não faz questão de agradar, desde que esteja coerente com a fé e os princípios de amor e respeito ao próximo.

Siro Darlan é desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e membro da Associação Juízes para a Democracia

cnsl

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