Sinfrônio Lima e os vereadores do passado

A COLUNA DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

Há um mês atrás, perdemos uma das figuras políticas mais interessantes que essa terra já produziu: Sinfrônio Lima, um dos vereadores da antiga cepa, que, pelo muito tempo em que exerceu o mandato, inclusive conseguindo fazer seu filho sucessor – Kléber Lima.

Ele, que era de profissão protético, fazia companhia aos colegas: Dudu, Sinval leite, José Alme Gomes, e muitos outros vereadores da “velha escola”, como Seu Nô, Pereira da Macic (como diria a atual vereadora Léa Silva, “em nome de quem saúdo todos os meus leitores”), a quem a gente, de alguma forma, aprendeu a gostar e tiveram, com todas suas limitações, tocando nas costas os destinos da política de nossa terra.

Sinfrônio, que ora nos deixa, era uma figura que poderíamos destacar como aquele que conhecia todos os prefeitos, para trocar os votos por benefícios também para a comunidade, e era uma figura folclórica em nossa Câmara. Uma vez disse – vamos pinçar uma das suas declarações mais interessantes: “só tem dois partidos, o dos que querem comer e dos que comem”.

Quando a gente se encontrava, perto do seu consultório de protético, passava, por vezes, uma manhã ou tarde inteira jogando conversa fora e essas conversas, muitas vezes, eu ia descobrindo, conforme se desenrolavam, muitas histórias de nossa cidade. Algumas inconfessáveis.

Era uma pessoa maravilhosa de se conversar. Sempre que saía, ficava com vontade de votar em Sinfrônio, mesmo depois dele já ter se aposentado (como existe o sigilo do voto, vou declinar em quem votei…).

Em Minas Gerais, havia um problema que se desenrolava por décadas e os mineiros diziam: antigamente, quando a UDN estava no poder, o PSD era quem pagava os impostos; quando o PSD mandava no Estado, a UDN era quem pagava; agora, todo mundo foi para a tal de Arena e não ficou ninguém para pagar os impostos!

Assim, conheci Sinfrônio, Sinval Leite, Seu Nô (Aldenor Rodovalho de Alencar, que alguma hora escrevo sobre ele) e, por último, nosso grande professor José Antônio de Albuquerque. Quando eram candidatos da Arena na época em que meu tio, Dr. Gineto, foi candidato a prefeito e teve sua candidatura impugnada, foi essa, de certa forma, quando me adentrei na nossa política paroquial, que, de certa forma, é tão ou mesmo muito mais interessante que nossa política nacional.

Penso que, na realidade, o Brasil, principalmente nesses tempos pós-PT, virou uma grande Cajazeiras, só que mais chata e entediante. Não se fazem mais comícios como os de Bosco Barreto. Não existem os “corujões” até amanhecer o dia, que a gente se fartava de cachaça bebida, por vezes, em um só copo para toda a noite, para todos os bêbados lisos (ninguém quebrava o copo, senão apanhava e muito!). Ninguém proclama os bordões “Vamos quebrar a panela!”, do pessoal de Bosco Barreto, ou o “Acunha, Doutor!”, que era repetido pelos seguidores de Edme Tavares quando alguma declaração de impacto era proferida.

A política de outrora era muito mais interessante. Parece que os tipos marcantes, como era o caso de Sinfrônio Lima, parecem ter desaparecido até das esferas federais. Tudo parece muito pasteurizado.

Fica o meu registro e lamento o grande representante que se vai.

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *