Saul Pessoa de Abreu se foi, que eu o conhecia mais como Saulzinho, que no decorrer de toda sua vida, era e foi, uma das melhores figuras que a gente pode ter contato. Sua estrutura de vida, suas escolhas, e até sua bebida predileta, primeiro o rum, depois foi “evoluindo” para a cerveja, e entre elas, umas caninhas, eram para cada momento escolhas perfeitas, ate da imensa cordialidade que ele me tratava e acho que todo o mundo que teve a oportunidade de conviver com ele, tinha essa impressão.

Tinha qualidades muito raras, especialmente nos dias de hoje, era um gozador que aceitava gozação, o que a maioria das pessoas diz que aceita, mas no fundo fica magoado, esse não era Saul.

Mas vamos ao motivo de traçar essas linhas, junto de tantos que vão lhe fazer os elogios que ele fez a faz por merecer. E me lembrar de alguns momentos juntos, nas intermináveis jornadas regadas a álcool, e entre outras que passamos.

No começo do Clube Campestre, quando eram umas três palhoças, e a gente ia para mais dar uma força aos sábados, eu me lembro perfeitamente de uma conversa que tivemos: Fulano (dizia um nome conhecido), resolveu… Vou tentar dizer de maneira mais polida que nas conversas de “tavolagem”, resolveu se envolver com homens, e nunca mais voltou, Sicrano hoje vive com um boyzinho, e nunca mais quis saber de mulher. Pepé, será que esse negócio de ser …(homoerótico) é bom e a gente tá perdendo? Depois o “vote!!” e a inconfundível rizada crítica. Era muito prazeroso tomar uma de testa com Saulzinho, que não o fez perdeu e muito.

Tem também a passagem da cigana que queria ler sua mão, jogar as cartas e ante as negativas, perguntou se ele não queria que ela o deixasse de “corpo fechado”, e a resposta veio na bucha: “E se isso acontecer como é que eu…” (defeco)?

Existem pessoas que se não puderem fazer o mal, se omitem de fazer o bem, Saul era o oposto, se não pudesse fazer o bem, o mal é que não faria. Desse tipo de gente eu sempre fiz questão de travar os melhores contatos. Me lembro da última vez em que a gente se sentou numa mesa juntos: Na Praça João pessoa, ele tomando sua cervejinha e eu tomando sorvete diet, enquanto a gente conversava, chegou com cara de terror a vendedora da Levina: estavam tentando assaltar a loja. Ele logo se levantou e e pediu água com açúcar, e colocou a vendedora para sentar, tentando consolar ela que estava transtornada.

Então me veio a notícia que Saul estaria internado no Hospital Laureano de João pessoa, e estaria “doente”. Naquele tempo em que soube, fiquei mais deprimido que hoje, escrevendo essa homenagem para Saul, pois a antecipação da perda de um amigo é pior que a perda em si, a gente o perde todos os dias, especialmente quando a gente é muito ligado, e gosta de estar em sua companhia.

Quando de volta da Capital, ainda passamos uma tarde juntos, jogando as conversas fora como de sempre, mas em mim, havia a sensação que seria a última vez que eu o via.

O acaso ou a providência me fizeram perder o horário de seu enterro, e fiquei com a lembrança de Saul vivo, melhor, pois ainda fica a sensação que o posso encontrar em alguma esquina.

Uma grande personalidade se foi e uma grande alma vai habitar seu merecido lugar. Por aqui ficamos todos nós a sentir sua falta…

Valeu Saul. Obrigado por ter tido a satisfação de ter convivido com você.

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *