Saudades…

A COLUNA DE RAFAEL HOLANDA

Tenho saudades de um passado tão distante, do meu tempo de infância, onde corria de mato adentro sem lenço ou documento, sem medo de se ferir, pisando em gravetos e espinhos para encontrar as belas borboletas que viajavam entre as plantas. Sem medo de ferimentos, pois tinha como estancar o sangue, com a poeira da areia que enfeitava a minha estrada.

Era um craque nas molecagens, no rodar pião, futebol, academia, adivinhação, jogar xibiu, correr de rua abaixo com cavalo feito de madeira; viver a vida sem procurar definir o dia de amanhã.

Tenho saudades dos meus medos, quando o sol deitava no poente, na hora da Ave Maria, os gritos da rasga mortalha e as sensações da noite que fabricava os monstros dos meus sonhos.

Tenho saudades das bênçãos dadas aos meus pais, dos irmãos que me cercavam, da hora do Brasil que ecoava por toda casa através do radio de meu pai. Saudades das novelas que nos empolgavam, do Direito de Nascer, onde Albertinho Limonta contava as suas historias e eu como pequeno fã acreditava.

Saudades da geladeira a querosene, sendo que eu era o responsável em observar o nível do combustível para impedir que houvesse o descongelamento São essas saudades que nos movimentam e faz viver melhor.

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