Rivalidade entre Cajazeiras e Sousa (4)


Sousa quase sempre teve supremacia na área política, como visto em artigo anterior. Já no campo do ensino, a hegemonia de Cajazeiras existe desde a formação do núcleo urbano, que brotou e cresceu, na primeira metade do século XIX, em torno de uma capela e uma escola, na fazenda de Vital de Sousa Rolim, pai do padre Rolim. Desde então, o arruado foi aumentando. Não de modo linear, mas em ciclos. Os ciclos declinantes, sobretudo, quando ocorriam longos períodos de seca ou de epidemias destruidoras. A escola do padre Rolim atraia alunos de várias partes do interior das províncias vizinhas, que aqui vinham aprender línguas (latim, grego, francês), além de noções de história natural, geografia, retórica, enfim, matérias preparatórias exigidas para o ingresso em seminários católicos, nas faculdades de direito e medicina existentes no Brasil imperial.

No sertão, apenas Cajazeiras oferecia isso.

Havia ensino de primeiras letras. Veja que coisa interessante. A primeira escola pública de instrução primária em Cajazeiras foi criada dez anos depois do colégio do padre Rolim! O governador da província, João Capistrano Bandeira de Mello, foi a autor do ato de criação, em 1854, sendo o pioneiro professor público de primeiras letras de Cajazeiras o cidadão Francisco Gonçalves Sobreira, avô de Ivan Bichara. Seu nome já aparece, em 1855, no Mapa das Cadeiras de Primeiras Letras, com turma de 19 alunos. Nessa época, Cajazeiras era simples povoação do município de Sousa. Esses dados históricos confirmam a importância da educação em nossa terra, do Império até hoje. Neste começo de século XXI vivemos um ciclo de inusitada expansão do ensino superior. Nos últimos 15 anos, Cajazeiras passou de um campus universitário público, com 6 cursos e cerca de 2.000 mil alunos, para cinco campi (dois públicos e três privados) com 41 cursos e mais de 10.000 alunos de graduação e pós-graduação.

Realidade que causa inveja a Sousa.

Eilzo Matos, no texto já citado em artigo anterior, Cajazeiras x São Paulo – Sousa se volta para o futuro, (republicado no Gazeta do Alto Piranhas, nº1003, de 01/03/2018), deixa escapar uma ponta de ciúme:

A discussão, porém, é sobre o pior ensino de medicina no país se o de São Paulo ou o da terra do Padre Rolim. Até nisso, pois, Cajazeiras, não se peja, tem uma escola médica embora os estudantes recebam a maioria das aulas em Sousa, segundo comentam. O fato é que disputamos o curso e perdemos. Eles ganharam, sabe Deus como. Falam que foi o filho de Isaac Mariz que deu de presente aos preclaros cajazeirenses e cajazeirados, ele um deles.

Meu querido e ilustre parente Eilzo Matos terá, hoje, alentadas razões para nutrir o compreensivo sentimento. Ao curso de medicina, presente do filho de Isaac, (?) instalou-se outro, o da Faculdade Santa Maria. A Santa Maria, aliás, oferece doze cursos de graduação na área de saúde, exatas e humanas. A FAFIC – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Cajazeiras, da diocese, possui sete cursos de graduação, incluindo o de direito. A Faculdade São Francisco oferece nove, entre os quais um de direito, coordenado pelo advogado Joaquim Alencar, ex-diretor do campus da UFCG de Sousa. No ensino público há o campus da UFCG, e o do IFPB, os dois somam 13 cursos de graduação, um mestrado Profissional em Letras. Um casamento público e privado que deu certo.

Cajazeiras é respeitável polo de ensino universitário, que impacta a economia e a sociedade sertanejas. A cidade ficou mais dinâmica, mais alegre, mais progressista e, ao mesmo tempo, tradicional. Fiel a sua origem, cuja raiz foi plantada pela visão do padre Rolim de disseminar conhecimento muito além da Ribeira do Rio do Peixe.

É de causar inveja!

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