Ricardo, uma história antes e depois da Calvário

POR HERON CID

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POR HERON CID

Exatamente um ano depois de sua deflagração, a Operação Calvário chega ao seu “Juízo Final”. Desde dezembro de 2018, investigadores e Judiciário desfiaram um novelo tenebroso.

A cada prisão, o quebra-cabeça ia dando sinais do rosto encoberto por várias teias de proteção. Delações, provas materiais, planilhas e até, como se sabe agora, gravações presenciais chegaram ao topo da torre de comando.

O acervo é robusto, conforme fica evidenciado no longo despacho de 206 páginas do desembargador Ricardo Vital. Os fios se ligam aos rastros deixados e fica pouca margem de contestação para o ex-governador Ricardo Coutinho, apontado como líder da organização criminosa acusada de desviar milhões da saúde e educação.

As conversas gravadas por Daniel Gomes, o principal operador financeiro do esquema, atropelam as eventuais teses jurídicas para refutar a conduta criminosa, conhecimento, ciência, participação e beneficiamento nos desvios de recursos públicos.

O material captado pelo Gaeco é arrasador. Há detalhes, indicações, pedidos e diálogos claros como a luz do dia em que o grupo atuava com surpreendente “ousadia”, conforme destaca o Ministério Público.

Tudo ‘entregue, com riqueza de detalhes, por muitos dos homens e mulheres de confiança de Ricardo. Se não fosse suficiente como prova, as gravações das conversas de Daniel Gomes e Coutinho implodem o que resta de algum eventual álibi a ser levantado.

As revelações são estarrecedoras. De tantas, a pior, talvez, seja a “venda” e “compra” do Laboratório Público da Paraíba, negociado numa mesa como uma mercadoria qualquer e fatiada para laranjas de Daniel e do ex-governador, segundo os elementos da investigação.

A mesada futura, pós-governo, de R$ 500 mil, devidamente costurada no último ano de gestão com Daniel, via organizações sociais e empresas fantasmas, à título de compensação e aposentadoria, é igualmente chocante.

Nada que em nada combine com o discurso e o dedo em riste apontado pelo ex-governador para tudo e todos no percurso de sua ascendente e vibrante trajetória política, recheada de vitórias e carregadas de esperanças de quem um dia viu nele a “nova política”.

O desfecho parcial traz profundos impactos na cena paraibana e não dá, no calor da explosão, para dimensionar o raio e alcance de seus efeitos. Mas é possível dizer que a política estadual não é mais a mesma a partir de hoje. Porque o Ricardo Coutinho, como a Paraíba conheceu, também nunca mais será o mesmo desde o começo dessa fatídica manhã de 17 de dezembro de 2019.

E isso não se comemora.

HERON CID É JORNALISTA
ELIANE BANDEIRA

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