Revisão de motor

A COLUNA DE EDUARDO PEREIRA

POR EDUARDO PEREIRA

TATYANA
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[dropcap style=’box’]R[/dropcap]emana retrasada fui ao cardiologista fazer check-up. Disse-lhe que estava ali para fazer revisão de motor, e ele me perguntou de quantos mil quilômetros rodados. Considerando que minha mãe chegou aos, praticamente noventa e dois anos, então estava eu fazendo revisão como meta a idade de minha mãe.

Indicou-me o homem de jaleco branco uma série de exames para fazer na segunda e terça-feira seguintes, e, para isso, teria eu de não beber a partir daquele momento. Nem hoje, doutor? Não. Poxa, vida, é a primeira vez, que eu me lembre, que passo em branco um sábado sem dar uma beiçada na cerveja.

Percebi que esse estado de abstinência forçada, num fim de semana, foi como uma quebra de contrato, a ausência de tempero na comida, carro parado sem gasolina, quebra de norma ética de frequentador de boteco.

Já sei, vão me dizer que sou alcoólatra. Pelas determinações protocolares da Organização Mundial de Saúde, sou, sim, alcóolatra. Como diria a personagem de humor do saudoso Chico Anysio: “Mash, quem não é? ”.

À noite, Maurinete bebendo um copinho de cerveja fazia gozação com essa minha privação. Esqueci de perguntar ao doutor se pelo menos eu não poderia beber uma cervejinha sem álcool.

Incrível, mas é verdade. Percebo que a abstinência de bebida alcóolica, ingerida com moderação, como fiz até agora esses anos todos, te deixa menos espirituoso, menos presente na celebração da vida. Lógico que os abstêmios têm esses prazeres da vida normalmente.

Depois fui pegar os resultados dos exames e o médico, após observar as pastilhas de freio do coração, os amortecedores das válvulas de escape das carótidas, o acelerador de partículas de esteira rolante dos batimentos cardíacos, a pressão e repressão da pressão arterial dos pistons do motor, chegou ao diagnóstico de que tenho que me manter sendo alcoólatra nos padrões da Organização Mundial de Saúde, com a moderação que sempre tive, mas não esquecendo que a cerveja tem que estar sempre gelada e o tira-gosto não gorduroso, para os gargalos das cervejas não ficarem congelados.

A recomendação maior é de que tenho que manter as caminhadas diárias, como já faço, e o pilates (duas vezes por semana), acrescento eu, e ingerindo o losartana potássica como se fosse o melhor tira-gosto do mundo.

Dito isto, na próxima semana faço as malas rumo a Jampa, para baixar o estoque dos remédios das farmácias à beira mar.

ELIANE BANDEIRA

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