Réquiem para Padre Raimundo

A COLUNA DE JOSÉ ANTÔNIO DE ALBUQUERQUE

“A tristeza da minha vida é não ser santo” (Pe. Gervásio Fernandes)

O padre Raimundo Honório Rolim, que o povo de Cajazeiras tanto amava e admirava nos deixou no último dia quatro de outubro.

Passou seus últimos dias na cidade de João Pessoa. Completaria 89 anos de vida em 18 de novembro e 60 anos de vida sacerdotal em 06 de dezembro. Estava se preparando para comemorar o que foi para ele a grande razão de sua vida: ser sacerdote, muito embora como ele mesmo dizia: “vida e missão atropeladas”.

Fez muitas caminhadas pelas paróquias da Diocese de Cajazeiras, mas o seu grande e efetivo amor, aonde suas raízes se fincaram chão adentro foi na Igreja Matriz de Nossa Senhora de Fátima, onde permaneceu por quase 24 anos.

No altar principal de Nossa Senhora de Fátima, com os pés sobre o túmulo de Padre Rolim, pregava o evangelho e ensinava aos cristãos o caminho para se chegar ao céu, e a difícil caminhada para se tornar santo.

O caminhar deste homem santo é um exemplo de humildade, fé, doação, trabalho, amor e da prática aos ensinamentos do cristianismo e teve como instrumento a palavra, palavra da verdade que deixou marcas indeléveis nos corações dos que o ouviam; umas puderam até ferir e contrariar, mas outras foram bálsamos e esperança para muitos corações sofredores.

Mas não foi apenas com a palavra, mas com ações e exemplos, mostrando também que através do trabalho o homem ganha o caminho do céu. E este exemplo ficou edificado nas inúmeras horas de trabalho, com sua roçadeira, com sua enxada e alavanca, derramando suor pela face, plantou e colheu nas suas terras do Vale Verde. Cajazeiras se acostumou a ver o padre Raimundo guiando, com uma foice amarrada no bagageiro, sua bicicleta, com destino a sua propriedade. Amava a natureza e por feliz coincidência veio a falecer no dia consagrado a São Francisco de Assis.

Para ele a velha e tradicional matriz de Fátima era um templo sagrado e quantas vezes não assumiu posições em defesa daquele espaço, contrariando os poderes constituídos e os poderosos da cidade. O arame farpado que a cercou, juntamente com as estacas de jurema, simbolizaram a coroa de espinhos e o lenho da cruz, para crucificar todos aqueles que foram contra a sua atitude em defesa da matriz de Fátima.

Quantas vezes a sua palavra, com voz forte, corajosa e destemida assumiu posições sempre em defesa da distribuição igualitária do pão, do exercício da democracia e dos direitos humanos.

As suas ações e feitos, muito embora embasadas na palavra do evangelho, eram de ordem prática, de efeito direto e imediato e sem rodeios filosóficos, teológicos ou ideológicos, principalmente quando era para defender os “direitos dos pobres”, mas tinha um detalhe: servia sem pensar em recompensa, e em absoluto silêncio e com grande compaixão.

A sua humildade, talvez fundamentada e alicerçada na gloriosa história de seu parente, Padre Inácio de Sousa Rolim, que deixou exemplos perenes de sabedoria e amor ao próximo, tendo como viés principal a educação, Padre Raimundo, também cativava a todos que o cercavam.  As sementes de conhecimento que plantou ao longo de sua missão atropelada germinaram muitos fiéis cidadãos em Cristo.

O seu corpo jaz na Igreja Matriz de Fátima, sua última e definitiva morada, à esquerda da entrada, se postando ali como um eterno guardião do templo de Maria.

Pelos últimos anos de sua vida e missão, que foram atropeladas por alguns problemas, além da sua frágil saúde, não tenho dúvidas que o seu caminho é o da santidade. Quem pedir a intercessão de Padre Raimundo com certeza será atendido.

Padre Raimundo, intercedei por nós!

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