Relação entre João Azevedo e Ricardo Coutinho sucumbe no Calvário

POR MARCELO JOSÉ

MARCELO JOSÉ

João Azevedo , até ser eleito governador,  era um auxiliar leal, técnico competente, e um líder do lar, nos padrões das melhores famílias.  Na intimidade de João, hoje talvez preferisse o anonimato, em vez de expor a riscos enormes tudo o que construiu em sua trajetória profissional, e de vida.

No dia 7 de outubro, quando João Azevedo foi declarado eleito, o sentimento era de que Ricardo Coutinho teria lhe dado um cavalo selado para cavalgar ao Palácio do Governo. Após 14 de dezembro, com a deflagração da Operação Calvário, descobriu-se que RC deu mesmo um “cavalo de tróia”.

Expôs a gestão de João ao descrédito, a ingovernabilidade , a questionamentos e investigações de toda ordem. E pior o ex-Ricardo Coutinho, exige que João coloque a máquina em defesa dos Governos dos dois, muito mais, que se for preciso utilize de todos os meios possíveis para proteger a imagem do ex, e de sua cúpula de confiança.

Um bom amigo nunca deve lhe cobrar aquilo que ofende a sua natureza. João Azevedo sabe que a responsabilidade do Governo é com o interesse e a satisfação das demandas comuns, da sociedade, e nunca com metas e questões particulares, por mais amigo que seja.

É uma questão de sobrevivência política. Sobretudo de quem está na responsabilidade do Governo, em relação a quem saiu dessa condição. A saída do núcleo duro Girassol e da namorada do ex-governador da gestão, expôs ainda mais as feridas já abertas.

Agora a Paraíba inteira já sabe., tomando-se por base, as revelações do Gaeco do MPPB e do MPRJ. O dinheiro da propina da Cruz Vermelha Brasileira abasteceu a campanha do governador João Azevedo, e aliados em 2018, como já havia ocorrido na reeleição do ex-governador Ricardo Coutinho, em 2014.

Quem diria um socialista, com discurso de republicano, precisar de dinheiro sujo, para obter êxito numa eleição, e se apresentar como se liderança fosse.

Esses são fatos apresentados na investigação da Operação Calvário, responsável por desvendar uma Organização Criminosa que se utilizou de organizações sociais para superfaturar contratos, desviar recursos públicos da saúde dos paraibanos, e abastecer o bolso de agentes públicos, políticos e campanhas eleitorais.

A podridão dessa história atinge em cheio a história política e a relação de dois  personagens atuais da política paraibana : o ex-governador Ricardo Coutinho, e o atual João Azevedo.  O primeiro trouxe a Cruz do Calvário, e agora acha que não deve carregar sozinho. O segundo é da tese de que cada um carregue a sua própria cruz.

Uma coisa é certa, apesar de ser  estratégico e lógico os personagens negarem veementemente agora. Mas depois da Cruz do Calvário  as relações políticas e pessoais de João Azevedo e Ricardo Coutinho, nunca mais serão as mesmas.

MARCELO JOSÉ É ADVOGADO E JORNALISTA

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