Redução da violência?

A COLUNA DE DERMIVAL MOREIRA DOS ANJOS

Sim!  Pelo menos é o que os números têm mostrado. Depois de várias décadas e anos apresentando números sempre crescentes, os indicadores apontam que os casos de crimes violentos: assassinatos, latrocínios (roubo seguido de morte) e lesões corporais graves também seguidas de morte, têm decrescido de forma consistente nos últimos 18 meses. Comparando os números de 2018, quando 51.589 pessoas foram assassinadas, com 2017 (o mais violento já registrado no país, com 59.128 vítimas), a redução foi de 13% o que significa quase 7.500 vidas poupadas.

A tendência de queda do trágico índice continuou e nos 4 primeiros meses de 2019 já há uma redução de 23% em relação aos 4 primeiros meses do ano passado, o que sugere que ao final deste (a manter-se o índice de redução) teremos um número próximo de 40 mil vítimas. Ou seja, 10 mil a menos do que em 2018 e 20 mil em relação a 2017, totalizando 30 mil vidas poupadas em 2 anos. Ainda sim, um número muito alto que não nos permite comemorar. A violência pode estar em cada esquina e a sensação de segurança não costuma acompanhar os indicadores na mesma velocidade. A população está traumatizada e continua com medo, presa em sua própria casa ou estabelecimento.

Mas ao que se deve a queda desses números? Que, se não nos permite celebração, nos deixam mais animadores quanto ao futuro e faz-nos pensar que nem tudo está perdido? Em São Paulo, o policiamento ostensivo e a transferência dos líderes de facções criminosas para presídios federais têm dado resultados e aquele estado hoje é o mais seguro do país, apresentando a menor taxa de homicídios do Brasil.  O Ceará, após ter batido o recorde de violência do país em função da guerra entre facções criminosas, já apresenta significativa redução no número de assassinatos. Ali foi verificado que o grande número de homicídios estava diretamente ligado às ocorrências de roubo de veículos, os quais eram utilizados pela rede do tráfico para outros crimes. Uma parceria com o centro de computação da Universidade Federal do Ceará, que desenvolveu uma ferramenta de rastreamento e localização tempestiva de veículos roubados, tem trazido resultados, que já se refletem nos últimos números. No entanto, o Ceará e o Norde​ste ainda apresentam os piores índices, contribuindo para elevar a taxa de homicídios no país e situá-lo ainda como um dos mais violentos do mundo. Na nossa região a taxa de homicídios tem ficado em torno de 40 para cada grupo de 100 mil habitantes, enquanto a média do Brasil em 2018 foi de 25 mortes violenta por 100 mil habitantes. Os números do ano passado, mesmo menores, ainda colocam o Brasil entre os 30 países mais violentos do mundo e com taxa bem maior do que a média mundial que é de 10 mil mortes/100 mil habitantes. Mesmo o Rio de Janeiro, que está sempre nas manchetes nacionais quando o assunto é violência, tem índice de homicídios inferior ao do Nordeste, com taxa próxima à média nacional.

Eu não acredito em trégua de bandido, mas em trabalho inteligente que começa inclusive na área da educação, esporte e lazer – formas preventivas que mantem o jovem ocupado e crescendo como cidadão. Quanto aos números decrescentes da violência resta saber se são resultado de uma política apenas pontual de proteção ao cidadão ou de um trabalho consciente e permanente em diversas áreas do poder público e que tenha vindo para ficar. Ou estariam as taxas de criminalidade caindo porque atingiram um teto? Também não acredito nisso. Há uma máxima que diz que nada é tão ruim que não possa piorar e prefiro acreditar que a queda nesse indicador que tanto nos envergonha e nos assusta, está mais associada a algo que começamos a acertar em termos de  políticas públicas de combate à violência. Seja como for, é preciso identificar a raiz do problema e insistir no que está dando certo em termos de segurança pública; por terem os Estados números bem diferentes nesse quadro, é preciso que haja mais interação entre as respectivas secretarias de segurança para que os métodos exitosos sejam estendidos para aqueles com os piores indicadores.  Mesmo em queda, os números da violência no Brasil continuam enchendo páginas no noticiário. Estancar essa carnificina é questão de vida ou morte, literalmente.

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