“Quem foi rei, nunca perde a majestade”

A COLUNA DE RUI CÉSAR VASCONCELOS LEITÃO

Interessante como as pessoas confundem o sentido desse ditado popular. Acreditam que ao se referir à majestade, relaciona-se ao exercício de um cargo de poder ou de elevada posição hierárquica. Como se o título circunstancialmente exercido por alguém fosse eterno, permanente. E o pior é que muitos pensam assim e se julgam contemplados com qualidades divinas, sem risco de descerem à planície e se nivelarem aos comuns dos mortais.

Na verdade a sabedoria do povo quer dizer que quem possui qualidades e virtudes sempre será exaltado, nunca esquecido. Será sempre respeitado, independente de trono em que esteja sentado ou de função honrosa que venha a exercer.

A expressão “ser rei” representa dizer que alguém se destaca por ser qualitativamente uma pessoa diferente. Possui dons ou características de personalidade que o faz reverenciado, admirado e respeitado. Por isso se diz que nunca perderá a majestade. A coroa que o faz rei é o caráter e a capacidade de fazer o bem.

O verdadeiro “rei” a que se refere o provérbio, não tem arrogância, nem vaidade. Enquanto os demais ao seu redor o vêem como uma pessoa singular, ele próprio rejeita essa condição de único. Não faz da sua vida um ritual de imponência e glória. Faz uso da sua majestade para cumprir bem a capacidade extraordinária que possui de fazer algo em nível de excelência.

Os déspotas, os tiranos, os ditadores, os que se intitulam poderosos, têm a equivocada impressão de que nunca perderão a majestade. Não são esses “os reis” que o saber popular define como eternos. Esses não são respeitados, são temidos pelo mal que podem fazer. Não são amados, são odiados pela forma opressora com que tratam seus comandados. São diferentes sim, mas porque se despem dos valores morais e éticos que devem presidir as atitudes de todos os homens.

Então quando se ouve a afirmação de que “quem foi rei nunca perde a majestade”, com certeza não tem referência a personalidades que se fazem “reis” porque eventualmente assumem cargos de projeção. Claro que não podemos generalizar, existem muitos que fazem do exercício do poder a oportunidade de se consagrarem como benfeitores do bem e promotores da justiça, mas a majestade que permanece não é o título honorífico que possui, mas a postura ímpar de ser destaque sem se considerar um ser superior.

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