Quanta saudade


Quantas saudades da noite de São João lá prá bandas do sertão, onde a família se reunia ao som de uma música caipira ao lado de uma fogueira a assar milho e fazer adivinhação.

A crença do brincar com fogo fazia a criança urinar na rede, além dos riscos inerentes a própria fogueira fazia com que ficássemos afastados e observando as historias dos mais velhos.

Pelo menos em minha casa era proibido o uso de fogos, e nós, dias antes fazíamos um acordo dos meus pais que em troca de fogos o aumento da mesada.

Observamos os mais velhos fazendo adivinhações do tipo enxergar o rosto em bacia de água, colocar uma faca virgem em uma bananeira para que no outro dia aparecesse a primeira letra do predileto.

Passávamos até altas horas na calçada, sem o risco de sermos assaltados ou pelo menos importunados, pois em regime de respeito e amor do passado sempre foi melhor. 

Não havia este negocio de sair de casa após as 21 horas, pois o motor da minha terra que alimentava a energia já notificava o seu repouso faltando apenas 15 minutos para referida hora.

Ao acordar logo cedo ainda aproveitávamos os restos finais da fogueira para nos deliciarmos dos restos de espigas que sobraram do dia anterior.

Podem dizer que hoje a festa é mais bela, que a festa é capaz de reunir a todos, mas com certeza dentro de casa e cada um com seu celular a buscar na internet um pouco da imensa solidão que falta a todos.

Não estranhe quando o grande escritor disse: Vou embora para o passado, pois com certeza o rio de alegria que passava em nossa porta, já não possui a cristalina historia do rio que continua a passar em nossa porta.

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