PT – Meia culpa, meia máxima culpa

TATYANA
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Quem me conhece ou me acompanha nas redes sociais, sabe de toda defesa que fiz do governo do PT, de suas políticas de inclusão social e tudo aquilo em que aquela gestão se identificava com o estado do bem estar social.  Mesmo após as primeiras denúncias de práticas ilícitas virem a público (mensalão), eu inda argumentava, fazia uma meia culpa, defendendo sempre o social – posicionamentos que me levaram ao desgaste com familiares e amigos. Embora não concordasse com toda a cartilha petista, eu não imaginava que o partido que se dizia ícone do combate à corrupção, em alguns anos seria protagonista do maior escândalo de atos ilícitos que este país já teve notícia. Após refletir e perceber a sofisticação dos esquemas de corrupção, e que isso fazia parte de um projeto maior de poder, reconsiderei minha postura. Continuo “keynesiano”, mas se permanecer partidário de uma proposta semelhante signifique ou implique na perda da razão, é hora de avaliar e rever posturas.

Ainda defendo tudo o que foi feito em termos de programas de transferência de renda. Populismo à parte, o PT colocou o combate a fome na ordem do dia e muita gente hoje come 3 vezes ao dia graças a essa política. É triste falar disso, mas a realidade brasileira de 20 anos atrás clamava pelo atendimento de demandas do tipo. Quero dizer que, para a grande maioria daqueles que fazem parte da metade inferior da pirâmide social, hoje o Brasil é um país melhor, por absurdo que isso possa parecer. E esses programas sociais e de transferência de renda se mostraram tão importantes que a crise econômica não chegou, ou pouco impacto causou aos seus beneficiários.

Tudo agora muito ofuscado pela corrupção. Vício que o PT não inventou,  é verdade. Contudo, os descaminhos e ilicitudes de outras legendas partidárias  que estiveram antes no poder, não minimizam nem justificam seus atos. Jamais concordei com a postura de “relativizar o mal feito” a que alguns militantes  recorriam. Entre suas fileiras, chegou-se ao ponto de citar o roubo dos outros para justificar os seus.  Bem sabemos do viés hipócrita dos gritos e panelaços dos “coxinhas”, mas isso não ameniza a vergonha e a crise de identidade porque passaram a militância e simpatizantes petistas. Sem falar dos argumentos inocentes com os quais defendíamos a ideia que sempre fizemos do caráter acima de qualquer suspeita da maioria dos políticos do Partido dos Trabalhadores. Como fica a defesa que sua militância voluntária fazia? E a credibilidade arduamente conquistada junto ao público em geral? Foi toda perdida.

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Creio ser necessário  um projeto de governo e de poder, mas os fins não justificam os meios. Pior que nada garante que a esquerda que surgirá não cairá no mesmo erro. O que quero dizer: que talvez o problema não esteja na esquerda ou direita, mas em fazer a coisa certa e garantir os direitos essenciais dos cidadãos.. Há bons exemplos lá fora vistos em diferentes vias do campo político ideológico, sem necessidade de tanta polarização. Somos todos capitalistas, pois estamos inseridos no mesmo sistema, mas a arrecadação é de 1/3 do PIB e isso é socializado, ou pelo menos deveria ser;  acredito, pois, que o problema esteja na política, nos seus vícios e não exatamente na orientação ideológico partidária.

A decepção com o PT também se estende à gestão da coisa pública e à sua política  macroeconômica.  Os números positivos da economia no período em que esteve no poder teve muito mais a ver com o cenário externo do que com  a sua política. Dilma precisou “pedalar” exatamente por causa de sua desastrada política econômica como as desonerações fiscais, investimentos irresponsáveis e excessivos na Copa do Mundo, em refinarias de petróleo no exterior, além de dezenas de grandes obras superfaturadas.

O PT está nu, perdido,  tamanha foi sua embriaguez com o poder. Comprometeu-se com diversos partidos e precisou lotear ministérios,  expandir sede da Copa do mundo para 12 cidades e ainda  comprar a eleição da Olimpíada  para o Rio. Tudo para agradar a base aliada. Acho até que Dilma ainda se saiu bem dessa, ironicamente, graças ao golpe. Imaginem todo este déficit em suas mãos; que medidas estaria tomando? A reforma da previdência seria uma delas já que fazia parte de sua agenda para o segundo mandato; se nenhuma, onde já iria todo esse rombo?   O PT deve continuar na oposição por algum tempo e o seu encolhimento nas próximas eleições será o principal reflexo do seu desgoverno. Não fosse o golpe, o “Partido dos Trabalhadores” estaria no governo,  mas em situação bem pior. Ainda está vivo, consegue espernear, berrar, etc, e estando na oposição, é só atirar pedras.

Dermival Moreira dos Anjos, bancário aposentado e licenciado em Geografia
ELIANE BANDEIRA

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