De Cacimba do Gado a Poço de José de Moura


No ano de 1870, em decorrência de uma grande seca que devastou todo o Nordeste, uma rica fazendeira do Icó – CE, chamada Tomázia de Aquino enviou um de seus vaqueiros a procura de água na região que hoje está localizado o próspero município de Poço de José de Moura. Esse vaqueiro chamado Gonçalo Moura, chegando nessa localidade, encontrou água em abundância. O local onde foi encontrado água, denominou-se Cacimba do Gado, dando assim origem ao nome Poço.

Tempos depois, da união entre Manoel Alves de Moura e Filomena Ribeiro de Carvalho, nasceram cinco filhos, dentre eles José Alves de Moura (Zé de Moura), fundador de nossa cidade e idealizador da Igreja de São Geraldo Magela.

Durante boa parte de sua juventude, Zé de Moura dedicou-se ao jogo e a bebida, que era tido por ele como lazer. Mais tarde, comprou um livro de São Cipriano com o objetivo de fazer mandinga e assim sustentar seus vícios. Com o tempo, começou a se sentir cansado daquela vida sem sentido e optou por uma nova filosofia de vida. A partir desse momento, Zé de Moura passou a tirar o terço e a realizar o novenário do Mês Mariano em casa de parentes e amigos, além de sair pelas fazendas carregando andores dos mais variados santos, acompanhado pelo som da banda cabaçal, objetivando angariar donativos para construção de pequenos templos.

Zé de Moura era associado ao Apostolado da Oração e participava da celebração da missa na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário em Antenor Navarro (hoje São João do Rio do Peixe), todas as primeiras sextas-feiras de cada mês. Em uma dessas viagens, estando de volta para casa, sentiu-se cansado e resolveu repousar à sombra de uma árvore quando, de repente, um jovem dele se aproximou e lhe entregou um recipiente de vidro, dizendo-lhe que, a partir daquele momento, deveria dar o líquido ali contido a todos que o procurassem com qualquer enfermidade, e os mesmos obteriam a cura para seu mal. Um pouco assustado, mas convicto de sua missão, rumou para casa e passou a utilizar esse líquido, à medida que fazia suas orações. Dias após este acontecimento, estando Zé de Moura entregue aos seus momentos de oração, encontrou em um livro, uma foto de um jovem muito parecido com o jovem que lhe entregou o líquido precioso e, para seu espanto, o jovem dessa foto tratava-se de São Geraldo Magela. A partir daí, despertou em Zé de Moura o interesse em conhecer a vida deste santo e passou a idealizar a construção de uma capela, onde pudesse entronizá-lo como padroeiro da comunidade da Vila do Poço.

Os anos foram passando e sua fama correu por vastas regiões, a ponto de chegar diariamente a sua porta diversos caminhões paus-de-arara cheios de romeiros em busca de seus ensinamentos e orações. Zé de Moura atendia a todos prontamente, contando com o auxílio de Francisca Bastos, a quem depositava total confiança.

Porém, no dia 15 de julho de 1966, Zé de Moura faleceu, deixando uma grande lacuna na então Vila de Poço José de Moura, que mais tarde passou a condição de Distrito, graças a um Projeto de Lei de autoria de Manoel Alves Neto, o Peixe Moura.

Em 29 de abril de 1994, o Distrito de Poço dá mais um passo rumo a sua eminente prosperidade, tornado-se a cidade de Poço de José de Moura. Dois anos mais tarde, em 3 de outubro de 1996, acontece a primeira eleição do município, elegendo-se Juarez Alves Tavares como prefeito e Manoel Alves Neto, o Peixe Moura, como vice-prefeito.

FONTE:

REVISTA “MEU SUBLIME TORRÃO”, PUBLICAÇÃO DA PREFEITURA DE POÇO DE JOSÉ DE MOURA

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