Pior será para os pobres, como sempre

TATYANA
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Nestes últimos dias temos recebido uma overdose de informações sobre a pandemia do coronavirus. As redes nacionais de televisão, especialmente o sistema Globo, tem dedicado sua programação a noticiar sobre o assunto. A gravidade da situação ainda que esteja sendo superlativisada, cria um clima de necessária apreensão, de forma a que haja um despertar de consciência sobre a ameaça que paira sobre as nossas vidas. A crise não é uma “fantasia”, como o nosso presidente até pouco tempo insistia em considerar. Não temos noção da dimensão dos prejuízos que essa doença vai causar a todos nós.

De uma coisa não há como pairar dúvidas, estamos diante de um cenário alarmante. Basta ver o que está acontecendo na Itália. A taxa de letalidade é assustadoramente alta, alcançando muito mais a população acima dos sessenta anos de idade. O sistema de saude italiano entrou em colapso. E é um país de primeiro mundo. Imagine como será aqui quando a disseminação do vírus se manifestar mais intensa.

No Brasil, por enquanto, pelo noticiário que temos acompanhado, as vítimas do contágio são pessoas classificadas como de boas condições econômico-financeiras. Gente que foi contaminada porque estava viajando para o exterior. Logo não podem ser apontadas como pobres. Têm boa qualidade de vida, em comparação com a grande maioria da população nacional. Neste primeiro momento, as ações de proteção no sentido de que o vírus não se espalhe, tem se direcionado para os que vivem nos bairros nobres e de classe média. Pessoal com melhor nível de escolaridade e noções de higiene mais conscientes.

A velocidade da contaminação, como tem se revelado, vai alcançar rapidamente as periferias e os grotões do país. Aí então o caso vai ficar muito mais complicado. A população de baixa renda mora em locais em que a propagação do vírus deve alcançar potencial devastador. Por vários motivos. Geralmente são regiões menos assistidas pelo poder público. Famílias numerosas habitam em casas onde vários dos seus integrantes são obrigados a dividir o mesmo cômodo, impedindo cumprir a orientação médica de adotarem o isolamento social. As condições de higiene são precárias, em sua maioria sem ter esgoto sanitário. Trabalham muito (quando trabalham) e se alimentam mal. Só para citar alguns desfavores que enfrentarão os pobres ao adquirirem essa doença.

Ao atingir fortemente a economia, o desemprego aumentará, afetando de forma mais danosa os que se situam na base da pirâmide social. A maior parte das famílias brasileiras está nas classes mais baixas. Haverá, portanto, uma tendência maior de adoecimento das famílias em situação de extrema pobreza. O coronavirus não é democrático. Com certeza os pobres serão mais vulneráveis ao vírus. Em consequência das desigualdades sociais, as epidemias afetam, infectam e matam populações que vivem em condições precárias.

O coronavirus terá efeito catastrófico entre os mais pobres. Muito triste chegar a essa constatação, mas não há como fugir dela. São os que mais vão sofrer. Para amenizar essa perspectiva assustadora, há a necessidade de urgentes ações de políticas públicas que ofereçam assistência e proteção a essa camada da população e repensar nossas atitudes de solidariedade humana. Fora isso, só a misericórdia e compaixão divinas.

ELIANE BANDEIRA

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