PIB do Nordeste deve crescer o dobro do país este ano

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A região Nordeste deve apresentar uma taxa de crescimento econômico pelo menos duas vezes superior à do Brasil até o final de 2014. Mas há poucos motivos para comemorar: com uma alta puxada principalmente pelo gasto das famílias, os investimentos ainda têm baixo impacto, a agropecuária se recupera de uma seca severa e as desonerações setoriais prejudicam os repasses aos estados e municípios. Além disso, os reajustes de preços controlados, como energia elétrica e combustíveis, devem pressionar a inflação, porém os resultados só serão sentidos em 2015.

Na prática, apenas o setor de serviços prestados às famílias tem perspectivas vibrantes para o segundo semestre de 2014. Já o varejo paraibano, após um ano de bons resultados, acumula um baixo aumento no volume de vendas. “No Nordeste, cerca de 60% do PIB é composto pelo consumo das famílias”, afirma o professor de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e consultor da empresa Datamétrica, Carlos Magno Lopes.

De acordo com dados da consultoria, as vendas do comércio varejista na região apresentaram um crescimento de 8,2% no acumulado entre janeiro e abril deste ano comparado com o mesmo período no ano passado. O crescimento em nível nacional foi de 4,96%, uma diferença superior a 3 pontos percentuais. Porém, o IBGE aponta que a expansão das vendas nesse mesmo período na Paraíba foi de apenas 3,4%, enquanto o Brasil cresceu 5%.

“Em primeiro lugar, isso se deve ao crescimento da renda no Nordeste ter sido superior ao restante do país. Por si só esse fator não explica tudo, mas tem um efeito muito grande sobre o comportamento do povo nordestino”, comenta Magno. De acordo com um estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a intenção de consumo das famílias brasileiras teve um recuo mensal de 1,6% em junho e, comparado com o mesmo mês do ano passado, caiu 7,4%, mas o Nordeste lidera a perspectiva de consumo.

“O consumidor passa a ter um comportamento diferente, e isso influencia decisivamente a agenda do comércio varejista”, destaca o professor. Ele explica que, mesmo com o aumento progressivo da taxa básica de juros (Selic), atualmente mantida em 11%, os nordestinos não pararam de consumir, contrariando a intenção do governo, que adotou a política para manter a inflação sob controle. Ou seja, os cidadãos ganharam poder aquisitivo e têm confiança suficiente para manter o ritmo de consumo.

Em relação aos serviços, a Paraíba também segue em outro passo. O crescimento da receita nominal de serviços na Paraíba foi de 12%, liderando a escalada no acumulado entre os estados do Nordeste, conforme dados do IBGE. Já os números da Datamétrica apontam que a região teve um crescimento de 7,9% no primeiro quadrimestre comparado com o ano passado, enquanto o Brasil avançou 8,07%. Em 2013, o setor de serviços respondeu por quase 70% do PIB nacional, bem superior à indústria e agropecuária. “Em demanda agregada, o consumo das famílias atualmente é mais importante que investimentos, gastos do governo e exportações”, comenta.

O IBGE aponta que o setor de serviços da Paraíba registra alta de 12% e lidera crescimento no acumulado do ano na região Nordeste. Já o Brasil cresceu 8% de janeiro a abril. De acordo com o estudo IPC Maps, que analisa o potencial de consumo no Brasil e nos estados, este ano o gasto dos paraibanos com bens e serviços deverá ser de R$ 47,469 bilhões – um aumento de R$ 5,747 bilhões, ou 13,7%, em relação ao ano passado. A taxa de aumento do potencial ficou acima da média brasileira (8,73%), porém abaixo da região Nordeste (16,31%).

Carlos Magno antecipa que o crescimento do PIB do Nordeste em 2014 deverá crescer em torno de 2,6% a 3%, enquanto o Boletim Focus, do Banco Central, estima o crescimento econômico do Brasil em 1,1%. Segundo Magno, o avanço quase três vezes superior, entretanto, “não é grande consolo”, já que tem como base uma economia com baixíssimo crescimento. “O que vai jogar o Nordeste para cima vai ser o consumo das famílias”, considera.

CONTA CHEGA EM 2015
Apesar de a tendência para este ano estar bem delineada, a perspectiva para o próximo ano é obscura e tem cenários desagradáveis.

O professor da UFPE constata que os preços que atualmente estão amarrados, como energia e combustíveis, devem ter reajustes inevitáveis no próximo ano. Uma coisa leva à outra, e a inflação deve ter suas margens novamente pressionadas – a previsão do mercado é de 6,1%.

“Essa previsão é modesta, porque ainda não foram precificados todos os reajustes que ocorrerão até lá”, conta.

JORNAL DA PARAÍBA
ELIANE BANDEIRA

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