Perfil de José Mojica


O ASTRO DE HOLLYWOOD JOSÉ MOJICA (FOTO: REPRODUÇÃO DA INTERNET)

Permitam-me os senhores leitores mudar o tom desta coluna na edição de hoje. De qualquer forma, não abandonarei o ritmo de minha nostalgia, trazendo-lhes, numa só balada, memória musical e recordações doutrora.  É que estive ouvindo algumas gravações de um tempo em que se fazia boa música, dos tempos de Siboney, Amapola, Maria Helena, Solamente una Vez, Perfídia, Frenesi, La Barca, Perfume de Gardênia

Mas, se lhes agrada recordá-las, procurem ouvir Maria la O. O que quero lhes dizer mesmo é que ainda me emociono ao ouvir a gravação desta última, na imortal voz de José Mojica, ou melhor de Frei José Francisco de Guadalupe.

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Natural de Jalisco, no México, Cresenciano Abel Exaltación de la Santa Cruz de Jesus Mojica Montenegro y Chavarín, talvez seja o primeiro exemplo de padre/cantor, “profissão” que hoje está se vulgarizando. Talvez a vida triste de sua infância o tenha feito seguir a vocação sacerdotal, mesmo depois de haver sido um dos maiores astros/galãs do cinema norte-americano, nos gloriosos dias dos anos 30 e 40 do século passado.

Afinal, sempre conservou consigo as agruras de uma infância sofrida: sabia apenas que o seu pai havia sido um médico que noivara com sua mãe e a abandonara depois de descobrir-se que ele já era casado e com mais dois filhos. O padrasto do menino Mojica, sapateiro de profissão e alcoólatra de vocação, foi preso em virtude de sua violência e, quando solto, não mais quis saber da esposa e nem do enteado. São fatos que despertaram no menino a vontade de vencer na vida, trilhando outros caminhos.

O mais fácil para ele, que possuía uma bela voz, chegando a fazer parte de uma troupe comandada pelo célebre tenor Enrico Caruso (finais do ano de 1919), foi dedicar-se ao bel canto, caminho mais curto que o levou às telas de cinema, como um verdadeiro latin lover.

Iniciou sua vida cinematográfica em 1929, quando foi convidado pela antiga Fox Films, de Hollywood, para interpretar papéis de galã, em películas faladas e cantadas em espanhol. O Preço de um Beijo foi o seu primeiro filme, a que se seguiram outros de sucesso: Príncipe, Rei dos Ciganos, A Cruz e a Espada, As Fronteira do Amor, A Canção do Milagre, entre outros.

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Em 1941, quando em excursão pela Argentina, recebeu a notícia do falecimento de sua mãe, muito sofrida, muito religiosa e a quem ele devotava imensurável afeição, fato que abalou a sua estrutura emocional. De pronto, após o enceramento do último concerto, retornou ao México, distribuiu com os pobres toda a riqueza que havia amealhado na vida artística, e resolveu entrar para o convento dos franciscanos, Convento de Recoleta, localizado na cidade de Cuzco, no Peru, que ele já conhecia, tornando-se assim Frei José Francisco de Guadalupe.

Daí para a frente, no intuito de arrecadar fundos para sua pobre ordem religiosa, recebeu a autorização de correr mundo, cantando também músicas profanas. Esteve no Brasil em várias ocasiões: 1937, no Cassino da Urca; em 1950, quando participou da inauguração da extinta TV-Tupi, de São Paulo; nos anos 50 e 60 ainda voltaria ao Brasil, tendo participado da missa em intenção da alma de sua amiga e colega de estúdios, Carmen Miranda.

Eu o conheci e com ele conversei, em 1953, quando esteve na Paraíba, e visitou o Seminário Arquidiocesano da Paraíba, onde eu era seminarista interno. Para mim, tudo são saudosas lembranças que ainda me emocionam quando me vêm à lembrança.

De parte dos leitores, sobretudo daqueles que são nostálgicos, recomendo-lhes escutar a versão do seu maior sucesso romântico, Maria la O, bela composição do cubano Ernesto Lecuona, gravação de enorme sucesso, datada de março de 1930. Envaideço-me de possuí-la em gravação original, em que Mojica faz bela e dramática recitação poética.

Faleceu, em 20 de setembro de 1974, com a idade de 78 anos, na cidade de Lima, no Peru, vítima de problemas circulatórios que afetaram a sua perna direita.

 

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FRANCELINO SOARES É PROFESSOR E APRESENTADOR DA RÁDIO CBN JOÃO PESSOA

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