[PEPÉ PIRES FERREIRA] O impeachment e a desilusão com os costumes políticos


A Presidenta Dilma Rousseff e o ministro da Defesa, Jaques Wagner, participam da cerimônia comemorativa do Dia do Exército, no Setor Militar Urbano (Antônio Cruz/Agência Brasil)

Caro leitor, estava com o firme propósito de apresentar esta semana um tema mais ameno, para “descansar as pupilas tão fatigadas”, mas a o desenrolar dos acontecimentos e a coisa política como um todo, praticamente me obriga a dissertar sobre esses fatos que como um tsunami, se assoberbam sobre nossas vidas, e naturalmente hão de pautar os dias/meses que estão a vir: o acatamento do processo de impeachment contra nossa President”a” (esse nome e com essa grafia dá nojo!); encaminhado pelo Presidente da Câmara dos Deputados, que por sua vez responde a um pedido de cassação por quebra de decoro parlamentar, que tinha conta na Suíça, negou, mentiu, e por ai vai; Se aprovado, vai ser julgado pelo Senado federal Presidido por um outro investigado de ter recebido a favores (entre outros de natureza sexual), não compatíveis com o cargo que ocupa.

Como em está acontecendo por motivos não políticos (nem tanto, mas vamos assumir assim) em Minas e no Espírito Santo o Rio Doce de lama, vai chegando ao mar e o transformando num Mar de lama que envergonharia até o sinistro Gregório Fortunato que comandava a piscina (um tanquinho) de lama que terminou com o suicídio de Getúlio Vargas. O Mar de lama de hoje em Brasília, é muito mais denso sujo poluído e sobretudo nojento, a nossa Democracia precocemente envelhecida, mais se assemelha a uma corruptocracia, que tem se disseminado por todo o tecido político nacional, e com conseqüências absolutamente imprevisíveis.

Mas, como disse Pedro Aleixo, vice-presidente de Costa e Silva, o problema nõ é o autoritarismo dos generais de Brasília, é o autoritarismo do guarda da esquina. Nosso Romário, um autêntico ídolo e herói nacional, até esse, que ontem eu tanto admirava, tem seus pequenos esqueletos guardados em alguma armário suíço. Mais abaixo, no nosso Estado, tem o suicídio do engenheiro de Campina Grande, que tinha uma empresa que contratava com a prefeitura de campina Grande ( o coitado tomou veneno para ratos), semelhante a um fato mais antigo, semelhante acontecido com o ex-marido de uma parenta minha, que suicidou-se com um tiro na Praia do Jacaré.

Por aqui, temo a Operações Andaime, que deu uma esfriada, mas que pode vir com alguma novidade, a qualquer momento, e pipocam por todo o país uma quantidade impressionante de processos de corrupção.

Nas ruas, por essas ou outras mazelas, o tráfico, e os ladrõezinhos de meia tijela e nem tanto, juntamente com a polícia (combatendo ou se associando) não ceixam de protagonizar a grande mídia, e a população vive a temer. O governo não resolve? O mercado faz seu serviço (naturalmente subtraindo direitos da população), o apareto policial e judicial não dão uma resposta adequada? A pistolagem e as motos pretas são chamadas a atuar, aterrorizando a população, que tem seus direitos (inclusive de viver), arrancados, não se sabe por quem. E assim vai se formando um clima de guerra Civil não declarada, que segundo estatísticas, em termos de homicídios, já ultrapassa os constatados em países em Guerra Civil confirmada, com a diferença que aqui a gente não sabe onde se vai dar o próximo evento, e pode ser mais próximo que imaginamos..

Acho que as linhas aéreas internacionais já devem estar evitando atravessar nosso espaço aéreo, com receio (justificável) de ser o avião abatido ou seus passageiros forçados a entregar seus pertences, por aqui, acontece tudo, até o inimaginável.

Um expectador vendo de fora, pode achar, e tem muitos motivos para isso, que o Brasil degringolou, o país está como que gangrenado de alto a baixo, É exagero, aqui tem muita gente boa criativa e honesta, que tem uma capacidade de trabalho impressionante, apenas nosso sistema democrático ter erros estruturais sérios, que devem ser consertados o mais breve possível. E não existem Salvadores da Pátria (os que se apresentaram até o momento foram uma decepção), deveria partir de nós mesmos, de casa.

Podemos aproveitar essa crise generalizada, refletir,e fazer uma espécie de catarse nacional para sairmos de dessa crise que parece sem fim.

Lembrem-se O Exército e o golpismo salvador já foi tentado e foi responsabilizado por outra crise maior do que essa, ou como dizia castelo Branco antes de ser presidente, referindo-se aos políticos que pediam o golpe militar as “vivandeiras alvoroçadas que de tempos em tempos assediam os bivaques dos granadeiros”a pedir por uma intervenção militar, não fazendo muito sucesso.

Os políticos podem ser corruptos mas a nação como um todo não, até por não haver recursos para corromper tenta gente.

A saída pode, e acho que está, dentro de cada um de nós…

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