[PEPÉ PIRES FERREIRA] João Jurema: homem à frente do nosso tempo


Lá bem pelo começo da década de 70; eu, um adolescente querendo ver o mundo, ou parte dele, falei com meus pais que queria conhecer João Pessoa, pois sempre que passávamos férias, etc., íamos ao Rio de Janeiro, onde morava minha avó. Então o local que eles designaram para eu ficar se tornaria um marco indelével na minha memória para sempre: rua Quintino Bocayuva Nº 44, a casa de João Jurema.

Havia uma série de fatores que eles levaram em consideração, João havia sido colega de turma de meu pai na escola de Prof. Crispim Coelho, e sua esposa Ilina era prima de minha mãe, ademais eles tinham filhos de minha faixa etária…

Desde este dia e até hoje me senti, não na casa de meros parentes, mas numa espécie de extensão de meu lar. Fiz algumas de minhas maiores amizades, que espero conservar pelo resto da vida, e assim considero, apesar de pouco andar em nossa capital,

Havia além da família, mais uma porção de gente que desfrutava o deleite da “casa de J. J.” como carinhosamente chamávamos, a alegria era de tal sorte, que parecia uma interminável festa, vivi momentos inesquecíveis e que se relatados fariam inveja a qualquer ser vivente…

Ponto. Agora ali existia uma figura que exercia um domínio, total naquele pequeno universo, O Dr. João Jurema, que sem nunca ter visto levantar a voz para quem quer que seja, fazia ver de uma forma natural, os limites e até onde aqueles meninos ruins podiam ir (não era que a gente e especialmente Valberto Jurema – Beto, não éramos extamente ruins, é que a gente gostava de dar trabalho aos nossos anjos da guarda…) as fronteiras do certo do errado que J. J. sem dizer uma palavra sequer, determinava, eram compreendidas e respeitadas por todos, desde Dr. Aldo Matos (irmão mais velho de Ilina), até Marcos José Guimarães, O mais jovem dos amigos que freqüentavam aquele lugar ímpar. Todos sabiam aonde esses eram os limites, e sempre foram aceitos de forma absoluta e inconteste. Dr. João Jurema era o que poderíamos dizer uma liderança natural, auto- imposta. Apenas o singular caráter dele mantinha o controle, sem deixar aquela casa deixar de ser um lugar extremamente agradável.

Agora, vem uma parte que me fala mais a mim, quando das estadias pela célebre casa, eu me reservava nos excessos da véspera, para participar de uma coisa que para mim era fascinante: Sentar na varanda e conversar com João Jurema sobre os mais variados assuntos, ou mais explicitamente, absorver o mais possível de seu enorme conhecimento, nas mais variadas áreas. Coisas, que algumas delas, somente depois de passados mais de vinte anos fui compreendendo. Isso na década de 70, Não era por seus conceitos e idéias,  João Jurema estava a frente de seu tempo, mas ouso afirmar, se medo de errar,  que J. J., como carinhosamente o chamávamos, estava à frente de nosso tempo, carente de figuras de brilhantismo semelhante, ficamos nivelados por baixo, e assim, figuras como João Jurema, permanecem atualíssimas.

Considerava a Quintino Bocayuva Nº 44, a minha casa em João Pessoa, tanto que minha última noite de solteiro (casei em J. Pessoa) passei lá, naturalmente atendendo ao conselho dele, Meu Padrinho de casamento, “vá sóbrio, Pepe, que a responsabilidade que vem pela frente é muito grande”.

Pelo restante, sua trajetória como político, como jurista e todo o restante igualmente admirável, deixo com os que mais o conheceram nessas searas. Mas fica meu testemunho e a gratidão da vida me dar a oportunidade de ter conhecido essa figura humana ímpar.

Fica minha gratidão não só ao homenageado, mas extensiva a toda sua família, sua esposa Ilina, seus filhos: Válber, Vânia, Vilma Valberto, os genros e noras, especialmente Assis e Raulino (amigos que já nos deixaram) os netos, etc.; com os quais nutro enorme carinho e amizade, e que esta perdure, que sobre estes não estendo mais comentários, para não tirar nem um pouco que seja do foco desses escritos.

João Guimarães Jurema, admirável, inesquecível, e deveria servir exemplo para nossa sociedade tão carente de valores do seu quilate, fica o testemunho desse que teve a oportunidade de, pelo menos um pouco, o conhecer…

Alguém que merece por ocasião de seu centenário de nascimento, receber todas as homenagens.

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