[PEPÉ PIRES FERREIRA] As verbas do orçamento e as desigualdades


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Soube, através de nossa imprensa falada, que as verbas destinadas a Cajazeiras no orçamento do ano passado, sejam individuais, quanto de bancada (dos partidos), ficaram no montante de aproximadamente 1.300.000,00 (hum milhão e trezentos mil Reais). Nada desprezível, se considerarmos que mais de 70 % dos municípios paraibanos (segundo a mesma reportagem), não foram contemplados com nada.

Essas verbas se concentraram sobretudo em João Pessoa e Campina Grande, como já era esperado; tudo bem, essas cidades pelo fato de serem as maiores do Estado e concentrarem mais de um terço da população paraibana, haveriam de serem privilegiadas, pois têm muito mais necessidades que a nossa, mas não é aí que podemos ver a desigualdade relativa de nossa cidade, comparadas a outras de porte semelhante à nossa, ou seja, em comparação com as cidades de Sousa, e principalmente a grande privilegiada dessas cidades do tamanho da nossa, o nosso verdadeiro calo, a Morada do Sol. Estamos nos referindo à cidade de Patos.

Bem: Cajazeiras vai receber por conta dessas emendas, um milhão e trezentos, agora Sousa, pelas suas emendas, será contemplada com mais de R$ 6.000.000,00 (seis milhões de reais), pergunto: seria Sousa cinco vezes maior que Cajazeiras? Não, mas pelo montante de suas emendas, parece ser, e Patos? No orçamento para este ano, vai receber… Pasmem: Mais de 19.000.000,00 (dezenove milhões de Reais). Digna do que os patoenses querem, que é se consolidar como o pólo regional em que devem orbitar as cidades satélites, como a nossa, pelo menos o que podemos perceber pelo que estamos a ver com a desproporção na distribuição dessas verbas federais.

Agora nos resta analisar o porquê desse descalabro. Na minha modesta opinião seria causada pela falta de representatividade que temos nas Câmaras Altas da República: Os deputados e senadores acharam por bem destinar suas emendas e as de seus partidos para outros centros, de onde poderiam sair os votos que os elegeram, e colocam aquele óbolo (um esmola) para nossa cidade, para não passar em branco, o que já se repete há décadas, antigamente, quando Sousa dispunha de deputados federais e senador (tanto Marcondes Gadelha, como Antônio Mariz o foram, e grandes senadores), essa enxurrada de verbas era (ou me parecia que assim fosse) para Sousa, pois naqueles tempos, quando eu estive em Patos, e perguntei a razão de seu desenvolvimento, um habitante de lá me respondeu que era por que a cidade não se importava com a política, e ficavam fazendo sua (a dela) parte sem que ficassem pedindo coisas para políticos. Foi a explicação da época, que por alguma razão hoje não vale: Nossa Morada do Sol, cada vez se consolida como pólo regional a olhos vistos, e com os recursos que sua condição faz exigir, em detrimento das outras cidades de mesmo porte, como Sousa e principalmente Cajazeiras.

Minha teoria da conspiração aponta dois motivos: um óbvio, a gente não se organiza politicamente (há décadas). Apenas nos preocupamos com o pleito paroquial, e levamos “na cachorrada” a eleição de onde vêm as verbas, haja vista a votação de protesto num candidato que obviamente não teria chance alguma de ser eleito. Se este fenômeno acontecesse em João Pessoa ou campina Grande, como já aconteceu e às vezes o candidato de protesto até se elege, como Antonio do Sopão (que naturalmente não se reelegeu), e em São Paulo o caso de Tiririca, existe algum sentido nesse protesto contra os políticos, mas aqui, o resultado pode ter uma conseqüência muito desfavorável para nós: Os eleitos argumentarão quando formos (como iremos) mendigar verbas e emendas dirão: “Peçam ao candidato que vocês votaram!!”. Será o efeito negativo do nosso voto de protesto, apenas depois da eleição municipal, é que os deputados e senadores vão tentar reconquistar os votos dos cajazeirenses. Até lá, pão e água…

Mas a forma de se fazer política aqui não é de hoje, que sempre se focou na eleição municipal: lembro que no Décio`s Bar, logo após a vitória de Leo Abreu, já se começava a discutir em quem se iria votar para prefeito na próxima, e eu dizia: daqui até lá, pode inclusive o mundo se acabar, e ao ver essa sucessão de anos secos, dessa vez em vez de água, deus irado com nossos pecados (o que não é exclusivo de Cajazeiras) pode estar querendo destruir nosso mundinho sem mandar água.

Hoje faria 36 anos do falecimento de minha mãe, D. Ica, que se viva e com 82 anos, com esta notícia da desproporção de verbas, certamente estaria vociferando no microfone, e atuando nos bastidores para reverter o quadro.

Temos que nos juntar em favor de nossa comunidade, nada virá de fora se não fizermos nosso trabalho, ou mesmo se não pedirmos.

Há anos que toco essa mesma tecla, parece que prego no Deserto, e com essas secas consecutivas, vai se tornando cada vez mais deserto…

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