[PEPÉ PIRES FERREIRA] A bíblia e o futebol


livro-reudesman

Finalmente terminei o antológico livro “A História do Futebol de Cajazeiras” do nosso querido Reudesman Lopes (Reudin). Como eu já esperava, mesmo pelo longo contato como autor durante sua gestação de mais de dez anos, e não me decepcionei absolutamente. Principalmente para alguém que participou (como expectador; pois eu jogava muito mal) dessa história de mais de um século, que conheceu Perpétuo no auge, no Santos de  Sérgio David, e Neco jogando pelo Estudante, e vem comprovar o que testemunhou aqueles e outros tempos, como a profissionalização do Atlético, que tive a oportunidade de pagar o primeiro bicho da primeira vitória (aqui, no vestiário do então chamado Estádio  Wilsão, hoje Perpetão), e sempre acompanhou a trajetória do futebol de nossa terra, a riqueza e quase absoluta (e as lacunas são confessadas pelo autor) e fidedignidade do material publicado, abre um enorme campo para a pesquisa, e principalmente para que se adquira o conhecimento acerca de nosso futebol, que é um formidável documento com inúmeras pessoas e detalhes que certamente causa inveja a quase todas as cidades da região, e ficando como exemplo para outros centros em termos de resgate histórico. Fica a minha (não é de hoje) admiração e respeito ao trabalho incansável de Reudesman que faz por merecer o reconhecimento de toda a nossa comunidade, do estado e de nossa região. Pouco posso acrescentar a esse trabalho que como uma formiguinha foi elaborado, com uma enorme dificuldade, e em um trabalho individual de um alcance, dentro do tema, verdadeiramente extraordinário, como já disse, o futebol de cajazeiras tem sua Bíblia, mas jogar mais confete sobre este trabalho, fica redundante. Ao autor devemos o reconhecimento que ele faz por merecer.

O problema, é que a História de nossa cidade como um todo, não dispõe de nenhuma obra que tenha a abrangência e a profundidade do livro de Reudesman. Confesso que o li aos poucos, para me deter na obra como um todo e nas ilustrações, em espacial as fotos destaque em todo o riquíssimo material que permeia toda a obra.

Nos outros aspectos de nossa história local, o que temos é um punhado de livros ou obras que apresentam determinados aspectos de nossa Cidade, e sem que se consulte várias fontes, e até fazendo pesquisas, não existe nenhuma tão abrangente como este livro. Irismar Gomes, que há coisa de um ano publicou o livro os “Prefeitos de Cajazeiras”, na conferência de lançamento e em conversas comigo reclamava, e com razão da extrema escassez de fontes disponíveis para consulta. Fazendo um paralelo, na nossa vizinha São João do Rio do Peixe, temos os livros de Rogério Galvão (S. J. do Rio do Peixe – Datas e notas) e Wlisses Estrela de Albuquerque Abreu (São João na Colônia e no Império), que se algum pesquisador ou curioso quiser saber de algum fato, situação ou acontecimento se referindo à nossa cidade vizinha, tem à disposição farto material, São João do Rio do Peixe, está, muito mais bem registrado que cajazeiras. Com o recente livro de Reudim, poderíamos pelo menos nos espelhar em seu trabalho, e travar uma operação de resgate de nossa história, antes que ela se perca, para fechar a enorme lacuna de nossa cidade em termos de historiografia.

Agora uma breve e .até injusta crítica ao livro de Reudesman: O futebol de Cajazeiras na minha opinião, não está à altura de seu livro, antes e especialmente nos tempos atuais, sem um sentido de organização que possa basear um futebol realmente vitorioso, o trabalho, e admirável trabalho sobre o que se baseou o livro, sempre foi muito mais devido ao desforço pessoal de abnegados (muitos), e muito menos resultado de uma organização que se diferenciasse. O nosso Atlético, todos os anos tem que começar do zero, nunca, nos tampos mais recentes formou uma base em que se organizasse o time no próximo ano. Quanto ao Paraíba, infelizmente não conheço a fundo o trabalho do amigo Tiko miudezas para fazer uma análise.

O resultado é que apesar dessa obra gigante de Redesman, nossa cidade detém apenas um único título de campeão estadual, enquanto Sousa, em grande parte pelo trabalho de Aldeone Abrantes detém dois títulos, e o Sousa nunca amargou uma descida para a segunda divisão, mas nem de longe Sousa dispõe de uma obra tão completa a registrar seu futebol.

Nunca é pouco registrar: O trabalho de Reudim deve não só ser elogiado, mas e muito principalmente ser imitado.

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *