Pedro Bandeira toma posse na Academia Brasileira de Literatura de Cordel


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No decorrer da sua trajetória de rimas e poesias, ele recebeu a homenagem que o agraciou como “Príncipe dos Poetas”. Pedro Bandeira novamente recebe reconhecimento, e desta vez da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC), ao tomar posse na cadeira 35, na instituição, que tem como patrono o poeta cordelista, Expedito Sebastião da Silva, de Juazeiro do Norte. Ele deixa, aos 75 anos, uma marca de sua trova em mais um templo de poetas escritores, desta vez no âmbito nacional.

A posse ocorreu no último dia 11, no auditório da Confederação das Federações das Academias de Letras do Brasil, no Rio de janeiro. A alegria dele é grande, a esta altura da vida, e não faz com que a sua marca de conhecedor da lira e sabedor das escadas de estrofes, eleve-se a uma categoria maior que os outros escritores e poetas populares, mas sirva de inspiração. “Não podemos jamais perder a humildade e nem tão pouco a ligação com a autenticidade e as raízes originais”, afirma.

Advogado, teólogo, filósofo e leitor de escritores como Câmara Cascudo e Jorge Amado, Pedro Bandeira vive a poesia por onde passa. No jardim de casa observa a dança das borboletas, o encontro, o namorar. Atua no rádio e tem um programa de TV, o qual dedica aos trovadores. Ao falar da viola, diz que os cantadores se destacaram mais do que os próprios poetas populares que escreviam os cordéis, ao levarem a cultura, informações do dia a dia, romances, e todos os tipos de notícias.

Ele lembra, com lágrimas nos olhos, do que mais o inspirou, além das histórias de Juazeiro e do Padre Cícero, os mistérios da vida e da natureza. Na época do religioso, segundo ele, os poetas populares ouviam o sacerdote nas suas pregações e levavam para todos os lugares por onde passavam. Exemplo disso foram os preceitos ecológicos atribuídos ao padre.

“As pessoas acreditavam nos cantadores, no que eles diziam sobre o padre”, diz ao destacar a importância desses profissionais. Segundo uma estimativa do poeta, foram mais de mil cordéis escritos. Ele já perdeu a conta, fora as outras formas de escrita, como poesias soltas, poema, folha volante, folha corrida e livros. São mais de três mil poemas. Entre os assuntos de sua grande inspiração, a mulher nas suas mais diversas formas foi poeticamente traduzida.

Temas – As história dos reis, rainhas, príncipes e princesas, em um navegar da imaginação do poeta, também passaram a compor sua obra por meio de romances ficcionais. Mesmo com problemas de saúde a poesia está sempre desperta. Age com empolgação quando o assunto é verso e rima. Veste o seu paletó para falar sobre a trajetória histórica da trova e diz que todo cantador tem que se apresentar com a vestimenta, para dar uma diferença.

O paraibano nasceu na cidade de São José de Piranhas, berço de muitos poetas e que lhe serve de inspiração. Em 1960, veio para o Ceará e se instalou em Juazeiro do Norte. O cantador não nega a poesia que está no sangue. “O meu avô foi o maior cantador que já existiu na face da terra. Permaneceu na poesia por 52 anos”, diz ele. Era o poeta Manoel Galdino Bandeira. Em termos de ano, o neto vence, com quase seis décadas na estrada, mas ele mesmo afirma que na qualidade da poesia, o avô superava.

Mais três irmãos de seu Pedro são cantadores e poetas: Francisco, João e Daudete. Uma de suas irmãs foi poetisa, Cícera Bandeira, mas não levou a trova adiante. Pedro Bandeira diz que as romarias e os sermões do Padre Cícero atraíram os cantadores. “Eles foram os que mais divulgaram o Padre Cícero e somente depois vieram os cordelistas”.

Inspiração – Os sermões viravam versos na boca dos poetas e as pessoas, conforme o poeta, acreditavam. Para ele, se instalar em Juazeiro era estratégico por ser uma cidade equidistante das capitais do Nordeste. A vida do cantador seguia estrada afora. Levou a sua poesia a vários locais do Brasil. Segundo Pedro Bandeira, os poetas populares faziam o jornalismo de massa que chegava às ruas. Destaca também os cordéis históricos e fictícios. Quanto à valorização de poetas e cantadores, afirma que em seus programas não dá espaço apenas aos cantadores de viola, mas aos emboladores de côco, tocador de pandeiro e sanfoneiros.

DIÁRIO DO NORDESTE

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