Patronos & Patronesses da Academia

A COLUNA DE FRANCISCO SALES CARTAXO ROLIM

O livro Patronos & patronesses foi lançado na noite de 21 de agosto, no Teatro ICA, que esteve lotado de convidados, professores, estudantes e familiares dos 38 autores. Todos os autores são membros da Academia Cajazeirense de Artes e Letras. Cada um escreveu uma minibiografia de seu patrono ou patronesse, aliás, um dos requisitos para ingresso na recém instalada entidade cultural. Por essa razão, como afirmo no prefácio do livro, o conjunto de estudos é diversificado e expõe peculiaridades de Cajazeiras, na medida em que o desempenho dos homenageados é indissociável do nosso contexto histórico-cultural. O volume, de 522 páginas, foi organizado por Francelino Soares.

Reafirmo, agora, o que escrevi no prefácio. Com o livro, a ACAL contribui para aprofundar e expandir o conhecimento da história de Cajazeiras, a partir da análise da vida, obra e ações de figuras que, de alguma forma, concorreram para o engrandecimento cultural de nossa terra, passo fundamental e necessário para preservar e difundir nossa memória. Entre os 38 biografados existem figuras antigas e personagens contemporâneos. Alguns nasceram e morreram no século XIX, outros, deixaram a vida terrena há pouco anos. Às diferenças de tempos históricos se somam outras, relacionadas com a formação ideológica, política, profissional, a natureza da contribuição dada ao ensino, às letras, às artes, ao jornalismo, à ciência, à difusão do nome de Cajazeiras fora dos restritos limites regionais. Há também, diversos graus de tratamento na escrita. A forma de escrever de cada um varia de acordo com as características do autor, com a facilidade, maior ou menor, de obtenção de dados acerca vida, da obra das atividades do biografado, além do manejo pelo autor de ferramentas de trabalho. Imagino, por exemplo, a ginástica intelectual da professora Irismar Gomes para traçar o perfil de Mãe Aninha, em face da ausência de dados a seu respeito. Até a data do nascimento e a imagem permanecem incógnitas!

Entre tantas biografias, selecionei as das figuras mais antigas, ligadas à origem de Cajazeiras. Aí estão os homenageados da Cadeira 1 – Padre Inácio de Sousa Rolim; da Cadeira 3 – Ana Francisca de Albuquerque (Mãe Aninha); da Cadeira 7 – Antônio Joaquim do Couto Cartaxo; da Cadeira 19 – Padre Heliodoro de Sousa Pires e da Cadeira 27 – Padre José Thomaz de Albuquerque. Três deles, sequer chegaram ao século XX! O bacharel Couto Cartaxo morreu em 1904. Já o padre Heliodoro Pires viveu até 1970.

À exceção de padre Rolim e Mãe Aninha, os outros três são quase desconhecidos dos cajazeirenses. Sebastião Moreira Duarte optou, em narrativa erudita e original, pela saga de recuperar a memória do padre Rolim, salvando documentos que estavam desaparecendo. Padre José Thomaz de Albuquerque, o primeiro vigário e primeiro prefeito de Cajazeiras, deixou de ser nome de rua e foi caminhar, com José Antônio de Albuquerque, por muitos caminhos do Ceará e até da Amazônia. E deve prosseguir na estrada. Padre Heliodoro Pires, referenciado graças à pioneira biografia do padre Rolim, é quase desconhecido entre nós, apesar de ser patrono da Cadeira nº 4, do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano! A pesquisa da professora Nadja Claudino traz ricas informações acerca da vida “nômade” e de sua vasta produção intelectual.

Aí está uma pequena amostra do livro Patrono & patronesses, que a ACAL oferta aos leitores.

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