Paraibanos estão indignados com falta de segurança após fuga de presos

TATYANA
AM3 – 250×250

[dropcap style=’box’]O[/dropcap] espanto dos paraibanos cedeu lugar à indignação, após as primeiras notícias da fuga em massa de presidiários do Presídio de Segurança Máxima PB1. Mais de 100 detentos ganharam as ruas após uma ação ousada de marginais, fortemente armados, que acabou fazendo agentes e policiais recuarem no confronto.

Durante a fuga, nas imediações da Acadepol, um tenente acabou assassinado com um tiro na cabeça. A situação virou manchete da imprensa de todo país, com comentários negativos e até piadas em relação ao Governo do Estado.

Uma pesquisa junto à população apresentada pela Associação de Defesa das Prerrogativas dos Delegados de Polícia da Paraíba (Adepdel), mostrou que mais de 70% dos entrevistados já foram vítimas de crime; 60% dos participantes, vítimas de crime, não registraram ocorrência; a maioria dos participantes, 76,6%, indicaram os crimes de roubos e furtos como os que mais atinge a população paraibana; o tráfico de entorpecente obteve 18,7% e homicídios 4,7%. Para 62,9% dos participantes, a solução é o investimento em investigação e inteligência.

Especialistas da área de Segurança Pública são unânimes em afirmar que a falta de valorização das polícias, o efetivo cada vez mais reduzido e a ausência de investimentos em equipamentos e sistemas de inteligência podem explicar o quadro atual.

“Não temos integração entre as forças de Defesa, por isso não existe um rastreamento pelos órgãos estratégicos de informações que poderiam coibir a ação de criminosos”, afirma o Coronel Kelson de Assis Chaves, ex-Comandante Geral da Polícia Militar da Paraíba.

A opinião sobre a falta de planejamento e investimento é compartilhada por outro ex-Comandante Geral da PM/PB, Coronel Ramilton Sobral Cordeiro de Morais. “A sensação de insegurança da população é muito grande. As últimas ações efetivas que chegaram à população foram no Governo de José Maranhão, como a patrulha escolar, a ciclopatrulha, a cavalaria, o grupo de apoio tático especial, a informatização”, diz.

Todos concordam com a questão do efetivo insuficiente. Em 2010, eram 9.409 policiais militares, assistindo uma população de 3.766.528, segundo o IBGE. Em 2018, a população chega a 3.996.496, mas o número de policiais militares diminui e hoje não passa de 8.588 PMs.

O efetivo da Polícia Civil da Paraíba também apresenta números preocupantes. São 2.262 policiais civis em todo o Estado, quando o ideal seria 8.490 policiais, segundo projeção prevista na própria legislação estadual. A PC atua em 308 delegacias, nas atividades meio, Acadepol, Corregedoria e IPC.

ELIANE BANDEIRA

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.