Padre José Thomaz de Albuquerque e as lições de Padre Rolim

A COLUNA DE JOSÉ ANTÔNIO DE ALBUQUERQUE

O padre José Thomaz, que foi o primeiro vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Piedade, criada em 1859, portanto este ano completa 160 anos de vida. Em 1864, na qualidade de vereador mais votado foi ao mesmo tempo presidente da câmara e primeiro prefeito de Cajazeiras, não foi só um simples sacerdote e um ser que talvez gostasse muito de política, mas se envolveu com muitas outras atividades, dentre elas de plantador e divulgador da cultura de trigo, no estado do Ceará.

Diante da situação da fome e da falta de alimentos, testemunhada por ele, seguiu o exemplo de padre Rolim, que plantou trigo no Cariri Cearense e fez valer a já experiência vivenciada pelo seu tio, resolveu proceder da mesma maneira na Serra da Meruoca, com sementes doadas pelo padre Rolim, onde em longo artigo publicado no jornal D. Pedro II, editado no Ceará, na edição do dia 25 de agosto de 1870, diz da sua atividade de plantador de trigo:

“tendo-me aplicado nestes últimos cinco anos ao ensaio de plantador de trigo nesta Serra da Meruoca, e tendo obtido bom resultado, julguei de algum interesse transmitir ao público a notícia deste trabalho, na esperança de que se for aceita a ideia e for posta em prática em larga escala este ramo da cultura em nosso país, a riqueza particular e nacional tomará um novo impulso, dando-me assim por satisfeito do meu trabalho. Quando cheguei a essa serra, em 1866, plantei em um pequeno canteiro uma meia xícara de trigo obtido de meu tio padre Ignácio de Sousa Rolim, do qual colhi pouco mais ou menos uma terça (aqui quatro tigelas)”

Ao longo do artigo ele descreve as suas experiências, ano a ano. Em 1868, importou de Portugal uma “atafona”, equipamento para transformar o trigo em farinha, com o objetivo de incentivar outros agricultores e neste ano plantou cinco alqueires e com os grãos colhidos produziu uma farinha ‘ “pura e de superior qualidade e deu pães saborosissimos”. Encerra o artigo conclamando: “quem desejar fazer a experiência, mande quanto antes procurar semente do trigo nesta serra, onde estará à disposição do público”

As irmãs de Padre José Thomaz

Não se tem noticias de que padre Rolim tenha tido mulheres entre os seus discípulos, não sei quais os motivos desta, o que seria considerado nos dias de hoje, “discriminação”, mas por outro lado teve a visão de que seria necessário implantar nestas brenhas dos sertões do Nordeste, também uma escola para meninas, então enviou para Fortaleza Antonia e Vitória dos Santos Rolim, para serem preparadas para o difícil trabalho do magistério. Era suas sobrinhas, filhas de Rita e irmãs do Padre José Thomaz de Albuquerque, que já era professor do seu colégio, além de ter assumido o cargo de diretor. Esta ação do padre Rolim nos dá mais uma certeza da visão e importância que ele tinha sobre a educação e que coloca a cidade de Cajazeiras como pioneira em toda a Paraíba a implantar uma escola para o sexo feminino e justifica ainda com mais veemência a frase de Alcides Carneiro de “cidade que ensinou a Paraíba a ler”.

A importância de Cajazeiras no cenário educacional, já com raízes no século XIX, teve repercussões em todo o Nordeste e até na Corte do Imperador Pedro II, poderá a partir da Comenda Padre Rolim, aprovada pela Assembleia Legislativa da Paraíba, projeto do deputado Jeová Campos, e da instalação da Academia de Letras e Artes de Cajazeiras poderá ganhar uma nova dimensão no cenário cultural/educacional em todo o Brasil.

Toda esta ebulição cultural vivenciada por Cajazeiras tem como base as lições do Mestre e grande educador Padre Rolim, síntese também da sabedoria, da virtude, da caridade e santidade e que teve como ex-aluno um dos mais nobres seguidores destas lições: o padre José Thomaz de Albuquerque: o missionário pioneiro da fé cristã nas selvas da Amazônia.

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