Mais um carnaval que chega, e com a como a é a festa da alegria por excelência, vou tratar de um caso triste, mas todo revestido com a alegria que a homenagem que vou tentar fazer, tentarei passar a positividade dos que vou tratar.

O homenageado do Bloco Cafuçú deste ano era um dos últimos “garçons da velha guarda”, nosso queridíssimo Corrozinho, que nunca soube nem quis saber seu nome, apenas o seu apelido e dos e seus autodenominados epítetos, “o véi do cafundó”, que fazia parte de um time que marcou e vai marcar a História de nossa cidade por muito tempo – Os garçons do Tênis Clube,  Corró,  ao lado de seu alter-ego, Queixo Fino, e seus companheiros, Também inesquecíveis, Caveirinha, Tidinha, Tico Garçom (o outro apelido não vou dizer), e o último sobrevivente desse time, Jacaré.

Quem não viveu, perdeu e muito. Eram esses uma atração à parte, nas festas, servindo os convivas, ao mesmo tempo que participavam das conversas dos ricos” como se fossem do mesmo grupo, era normalíssimo a gente e os de fora mais chegados, no fim das festas, os chamarem eles para contar os seus “causos”.

Para a os de minha geração, tinha o fato de a gente chegar numa festa e beber a noite toda, e depois ir embora sem ao menos assinar um vale, eles nem se importavam, iam às casas de nossos pais, e Diziam, por exemplo: Doutor:  Seu filho deixou uma conta de tanto, e como os outros, a gente já tinha ido embora estudar, e eles recebiam e também como que tomavam conta da gente nessas festas. quando de algum excesso, arrumavam jeito de  nos deixar em casa, por exemplo. Era um tempo que realmente valia a pena ser vivido. Agora, a gente, a turma mais chegada, éramos os “falsos irresponsáveis”, quando de volta aonde estudávamos, estudava p’rá valer, e os que não chegaram a ter grandes formaturas, conseguiram com sobras, alcançar seus respectivos lugares ao sol, o que a gente vinha fazer era tirar o estresse de muito estudo, diferentemente dessas novas gerações da ostentação, em que ter um paredão de som maior tira vantagem, e quem tiver o carrão mais ostensivo leva o prêmio, que acho de duvidoso mau gosto, Em termos de som, quando no fim de meu curso de engenharia, com um dinheiro do estágio, consegui comprar um toca-fitas Road  Star, me senti no próprio Nirvana.

Mas não vamos sair do foco desse texto. Nesse ano, Corrozinho, foi escolhido para ser homenageado no bloco do cafuçú e como eu tive oportunidade de saber com detalhes, ele estava programando para ele, e toda sua família saírem fantasiados de garçom. Mandou a filha “Pixoca”, comprar os tecidos para fazerem as roupas iguais, e naquelas fatalidades do destino, passou mal, e talvez resolveu que  ver sua homenagem do andar de cima fosse mais adequado. Eu e todos os que conviveram com Corró, nos sentimos diminuídos, pela sua ausência nesse momento que seria a mais adequada homenagem ao nosso “Véi do cafundó”.

Vou contar duas histórias paradigmáticas: na famosa festa do encontro dos governadores em Cajazeiras, João Agripino e Ernani Satyro, eles cobraram a conta, da mesa do governador, naturalmente “espichada, nada menos do que seis vezes, cada um que saía, eles cobravam a conta, o último foi O ex-deputado Tarciso Telino, que comentou: “Eles saíram todos e vocês nem cobraram a conta”? A resposta foi o máximo: “Eles todos saíram dizendo que o Senhor era quem ia pagar…”

Numa festa de Melhores do Ano, em que Ronaldo Cunha Lima foi um dos  homenageados, ele fez um verso exaltando Queixinho como o melhor garçom do ano, e quando foi informado que o “vencedor” era Caveirinha, Ronaldo fez uma improvisação histórica: vou tentar reproduzir de memória:

Aproveito a ocasião para corrigir uma falha minha:

Eu mato Queixo Fino e ressuscito Caveirinha!!”.

Quando havia festa na minha casa Corró e Queixinho eram os titulares e minha mãe, acostumada com suas artimanhas, comprava a mais e mostrava os Whiskies a eles dizia “ Cada um, na minha frente tire um litro, e não deixe faltar p’ra ninguém”, e eles satisfeitos, faziam com que as festas saíssem perfeitas.

Mais um dos nossos símbolos se vai, agora vamos prestar a Corró e aos outros que nos deixaram ,a homenagem adequada.

 

1 Comment

  1. Avatar
    Damião carlos
    01/03/2017

    Excelente matéria, e nobre a atitude do senhor, que infelizmente não conheço pessoalmente, de homenagear com tanta propriedade histórica esses homens de valor.
    Durante 15 anos de minha vida trabalhei como garçom em incontáveis e mais diversos eventos , inclusive o tradicional “Baile do Reencontro”.Fiz pare da nova geração deste célebre oficio, e foi em um dos bailes do reencontro que tive a honra de conhecer o ilustre “Queixo Fino”, assim como alguns dos outros remanescentes desta gloriosa trupe, como o “Caveirinha e o Jacaré”.
    Eu, um garçom novato juntamente com outros mais, iria trabalhar no evento mais prestigiado da sociedade Cajazeirense, até treinamento no Senac tivemos para que servíssemos com requinte os renomados cajazeirenses e cajazeirados que lotariam o Campestre Clube naquela noite, onde beberiam e se alegrariam ao som de algumas atrações, entre elas a Orquestra Mistura Fina. Bem,vamos ao que interessa, o meu encontro com o “Queixo Fino” digamos que não foi dos melhores, ao chegarmos ao Campestre, ele juntamente com outros “antigões”, já haviam escolhido para si as que a seu ver eram as melhores mesas, tanto em localização quanto de possível faturamento, isso mesmo, ele sabia exatamente quais convidados ali eram os mais gastadores, portanto lhe renderia maior comissão, bem como aqueles que costumavam ser mais generosos nas gorjetas. Seu mais de meio século de experiência na profissão lhe permitiria fazer esta seleção apenas olhando os nomes dos ocupantes das referidas mesas colado nelas.
    Então, eu fui tomar satisfação com o “Queixo Fino”, sobre o porquê de ser dele esta preferência, foi ai que fui escraxado pelo mesmo, que jogou na minha cara sua experiência, lembrou-me com veemência que eu era um novato, e que seria daquele jeito, inclusive dizendo que não fosse desta forma, não trabalharia. Neste ínterim, o presidente do clube na época intervém em favor dele, e todos nós, os novatos tivemos que acatar a “Divisão das Mesas” feita pelos Veteranos.
    Foi então que resolvi perguntar a outro garçom mais antigo com o qual tinha mais afinidade, quem era esse tal de “Queixo Fino”, e por que ele tinha tanta “Moral”?
    Dai então comecei a ouvir a seu respeito pelos outros, ouvi sobre sua longa carreira, experiência, excentricidades. Pouco tempo depois me aproximei dele e me rendi a suas histórias, sua experiência,seus ensinamentos na arte de servir, faturar e é claro, conseguir uma boa gorjeta.
    Daí em diante, sempre que tinha a oportunidade de trabalhar em algum evento em que ele estivesse, eu me deleitava escutando suas histórias de vida na sua profissão,sobre as mais diversas personalidades da cidade de Cajazeiras, região e até mesmo do Estado. Ficava encantado com o prestígio que ele tinha com todos os homens e mulheres da sociedade que lhe chamavam pelo nome, ou melhor, seu apelido. O melhor curso que tive não foi o do Senac, e sim na convivência e com esta lenda chamada “Queixo Fino” naquela noite de Agosto.
    Hoje não exerço mais a profissão na prática, mas vez por outra trabalho com o mesmo público, pelo menos uma parcela deles (os bêbados), como policial, lido com a situação com outra perspectiva, porém o aprendizado adquirido trabalhando como garçom, me dá um certo jogo de cintura em lidar esta “classe”.
    Sinto-me honrado de ter sido contemporâneo de profissão daquele que tenho por mestre. Viva! a Caveirinha e Queixo Fino (in memorian), e a todos os garçons, garçonetes e atendentes em geral. Vida longa, saúde, paciência (muita paciência), e também vultuosas gorjetas.

    Damião Carlos leite da Silva
    Cajazeiras 01 de março de 2017

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