Os laços que unem São José de Piranhas e Cajazeiras

A COLUNA DE JOSÉ ANTÔNIO DE ALBUQUERQUE

Jatobá*

 

Cidade moça, esplendida criança,

Inda no leito quente adormecida…

Trazes contigo a luz de uma esperança

Dentro da terra que te deu guarida…

 

Alcançarás os beijos da bonança,

Embora o ardor da terra ressequida

Te oponha, vivo, os surtos da mudança

Para o esplendor da Terra Prometida

 

Toda riqueza verde em ti se aninha,

Nesses campos de esperanças cheios

Que te dão leito excelso de rainha…

 

Cresce aos impulsos de teu povo amigo

Heroicos filhos de teu solo, esteios

Que em vida ou morte sofrerão contigo.

*Osvaldo Regis

 

Ensina o historiador Deusdedit Leitão: “por volta de 1760, fixou-se na região Antonio de Sousa Dias, recém-casado no Icó, com Maria Coelho da Cunha; veio habitar os sertões da Paraíba, localizando-se no Sítio Barra da Timbaúba, entre a Serra do Vital e o Sítio São José. Ali nasceu, em 1761, o seu filho Vital de Sousa Rolim, o fundador de Cajazeiras”.

Vital casou-se com Ana Francisca de Albuquerque, filha do sesmeiro Luiz Gomes de Albuquerque e sua mulher, Luísa Maria do Espírito Santo, estabelecidos na Data de São Francisco. Ana recebeu como dote de seu casamento as terras, onde hoje se encontra edificada a majestosa cidade de Cajazeiras.

Esse estranho personagem, Antonio de Sousa Dias, era o alagoano Antonio Mons Rolim, que segundo Deusdedit Leitão, fugira da cidade de Penedo, onde havia indícios de sua culpabilidade no assassinato de um médico, fato ocorrido naquela cidade. Antonio fugiu para o Cariri, casou-se no Icó e veio parar na Barra da Timbaúba e constituiu uma família com dezoito filhos, nove homens e nove mulheres e daí foram formadas as famílias de Cajazeiras: Rolim, Coelho, Albuquerque e Cunha.

O povo que habitava o povoado de Cajazeiras, até o ano de 1848, fazia suas feiras no povoado de São José de Piranhas. Neste ano o Padre Rolim, criou a feira de Cajazeiras, conclamando os comerciantes desta região a fazerem uma feira, com a promessa de que se não vendessem a mercadoria, no final compraria tudo o que sobrasse. E acabou dando certo.

São José de Piranhas se tornou independente através de uma Resolução número 791, de 24 de setembro de 1885 e teve a seguinte redação:

“Antonio Herculano de Sousa Bandeira, Doutor em Ciências Sociais pela Faculdade de Direito do Recife. Oficial da Imperial Ordem da Rosa e Presidente da Província da Paraíba, faço saber a todos os seus habitantes que a Assembleia Legislativa Provincial resolveu e eu sancionei a resolução seguinte:

Art. 1º – Ficam elevadas à categoria de vilas as povoações de São José de Piranhas, da Comarca de Cajazeiras, e de Soledade, da Comarca de São João do Cariri, que continuarão a ter as mesmas denominações.

Art. 2º – Ficam também elevadas à categoria de municípios a freguesia de São José de Piranhas, a subdelegada de Soledade.

Art. 3º – Os limites que dividem o município de Soledade do Território da Freguesia de Pedra Lavrada, na parte civil, serão da Fazenda Pires, em linha reta….

Art. 4º Revogam-se as disposições em contrário.

    • Antonio Herculano de Sousa Bandeira

Outro documento que merece destaque na história da cidade é o Projeto de Lei 169, de 22 de agosto de 1952, do deputado estadual Humberto Lucena, restaurando o nome do município de São José de Piranhas:

Art. 1º – Volta a denominar-se São José de Piranhas, o município de Jatobá, deste estado.

Art. 2 – Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogada as disposições em contrário.

Sala das sessões, 22 de agosto de 1952.

    • Humberto Lucena.

No dia 14 de outubro este projeto foi convertido em Lei, sob o número 800, sancionada pelo governador José Américo de Almeida.

Nos limites de São José de Piranhas e Cajazeiras está erguida a parede da Barragem do Boqueirão de Piranhas e os milhões de metros cúbicos de água, que matam a sede do povo de nossa cidade, se encontram nas terras de São José. Este é o maior laço de fraternidade entre estas duas cidades, além de nos ter servido de berço para o fundador de Cajazeiras, Vital de Sousa Rolim.

Salve José! Terra querida e abençoada, que completa 134 anos de vida, cada vez mais bonita e bela.

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