Os jornais de Cajazeiras (4ª parte)

A COLUNA DE FRANCELINO SOARES

O Rebate cognominava-se como um “órgão político e anticlerical”. Sua primeira edição saiu em 29 de junho de 1925 e circulava aos sábados. É quase óbvio se afirmar, porque o seu nome nos dá esta pista, que se tratava de um veículo de “oposição” às ideias propagadas pelo O Rio do Peixe, estas de vinculação nitidamente católica.

Suas instalações ficavam situadas no início da antiga Rua 7 de Setembro, hoje Av. Presidente João Pessoa. Três eram as suas “molas mestras”: o Coronel Marcolino Diniz, fundador, proprietário e Diretor do jornal. Embora oriundo das terras da antiga cidade de Misericórdia, na época era influente lojista do ramo de tecidos, com ingerência na vida social, esportiva e política de Cajazeiras. Ele era filho do Coronel Marçal Florentino Diniz e uma espécie de “lugar-tenente” do Coronel José Pereira Lima, este, desencadeador do movimento político que embrionou a chamada Revolução de 30; o Dr. Praxedes Pitanga, conterrâneo e amigo do Coronel Marcolino Diniz, era o Redator-Chefe e, por aqueles tempos, exercia a atividade de advogado de ofício, jornalista culto, polivalente e destemido. Hoje, ainda não se entende bem porque, amigo que era do Coronel Marcolino (que – dizem – era “patrão” de Sabino Gomes), Praxedes teria se proposto a participar do grupo cajazeirense que enfrentou Sabino, quando da tentativa de invasão da cidade, em setembro de 1926, episódios bastante elucidados no romance Carcará, do ex-governador e escritor Ivan Bichara. Pouco tempo depois, Praxedes ingressou em disputas políticas, elegendo-se Deputado Estadual e, posteriormente, Federal; José Galdino de Souza, Gerente, sobre cujas atividades, além do colunismo jornalístico, não se dispõe de outras informações.

O jornal O Rebate circulou até o ano de 1930, cessando suas atividades quando da eclosão da já citada “Revolução de 30”, mesmo porque Marcolino era ligado ao grupo do Coronel José Pereira, de certa forma, estopim daquele movimento revolucionário que reestruturou a vida politica nacional. Dentre os colunistas de O Rebate, estavam Dr. Otacílio Jurema, Barreira Cravo, bacharel Lauro Nogueira, além dos jornalistas cearenses Demócrito Rocha, Júlio Matos Ibiapina e o poeta Emídio Miranda.

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