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Os fascistas e fascistóides

No nosso país, semelhante ao que ocorria na África do Sul, existe uma espécie de “Apartheid Social”, enquanto o de lá do outro lado do Atlântico eram os cidadãos separados pela cor da pele, aqui essa separação, se dá pelas posses que o nosso cidadão tem, ou aparenta ter”: é o rico contra o pobre, apesar de que temos que reconhecer, que existem muito mais pobres “afro- descendentes” que os de origem mais europeia (embora quase todos os nossos concidadãos tenham algum tipo de mistura de raça, com exceção de emigrantes recentes.

Então, o nosso Brasil tem uma certa semelhança com um país de ficção, criado por um jornalista há mais de duas décadas: seria a “Belíndia”, uma Bélgica, pequena e rica ocupando o mesmo espaço, com uma Índia continental e pobre. então, com todos esses numa miscelânea, , deveria, como deve ter como ao privilegiados da Bélgica controlarem os desfavorecidos da Índia.

Então haja criatividade. Lá no final do Século XIX, quando o Império proclamou a Abolição da escravatura, os senhores de escravos, ao saberem que não iam ser indenizados, trataram de proclamar a República, e puseram um Marechal amigo da casa Imperial para primeiro presidente para assim, terem suas indenizações, o que não deve ter ocorrido, pelo menos na proporção do que queriam os escravocratas, pois o país nunca dispôs de tamanha quantia de dinheiro, e iria à bancarrota.

Então, desde lá até os dias de hoje, sempre que os mais pobres arrumam um espaço para crescer, em seguida aparece um títere, um “mamulengo”, um enviado dos céus , geralmente sem todos os requisitos para exercer a presidência, criar uma grande confusão, ou em jargão futebolístico, para embolar o meio de campo, enquanto isso, aqos poucos, vão se retirando os ganhos que foram auferidos pelos menos favorecidos, então depois se bota um “bonzinho” para ir tocando o barco.

Aconteceu no tempo de Juscelino Kubitschek que tinha a meta de fazer país avançar cinquenta anos em cinco, construiu Brasília, estradas, trouxe a indústria automobilística para o Brasil, se não conseguiu fazer esse intento, que era por demais audacioso, tirou o nosso país de uma letargia, deu outra dinâmica ao ato de governar o Brasil.

Então, a faca obscura nacional, conseguiu emplacar Jânio Quadros, entre uma ou outra medida de impacto, como proibir o biquíni nas praias brasileiras, ou acabar com as rinhas de briga de galo, na surdina ia criando o espaço para a implantação de um regime autoritário, infelizmente Jânio, que era o ídolo de mina família quando eu era criança, na verdade era um egocêntrico esquizoide, que em seus delírios, achou que se ele renunciasse, o povo iria devolve-lo ao poder como uma espécie de “salvador da Pátria”, lhe outorgando poderes imperiais., o que não aconteceu, e as “forças ocultas”, como ele as chamou, tiveram depois que dar o golpe de 64.

Depois da retomada da democracia tivemos Collor e sua república das Alagoas, que de tão baixo nível, teve que ser impichado, e Itamar Franco, com o pouco preparo que um de Senador em fim de carreira pode ter, teve que arrumar a casa, fazendo na minha humilde opinião, um dos melhores governos que esse país já teve: conseguiu acabar com a inflação, que se mantinha uma das mais altas do mundo há décadas. Depois houve a era Fernando Henrique, que terminou seu governo com uma das maiores desigualdades em termos de renda do mundo, e ao sucede-lo veio Lula, e o PT. Eles tiveram o bom senso de não acabar com o que havia de bom nos tempos de FHC, e tocaram uma série de programas sociais. Então aconteceu que o PT para assegurar a governabilidade, teve que fazer acordos com o que havia de pior na política brasileira, os mais, fisiológicos, os mais corruptos, que depois teve que pagar o alto preço de ver todos os seus melhores quadros de alguma forma inviabilizados para a sua sucessão, e Lula teve que escolher o menos incapaz, essa escolha recaiu em Dilma, uma das mais incapazes, tanto na área da política, quanto no resto. Acabou sofrendo outro impeachment.

Como vi Cristovam Buarque dizer recentemente, “as correntes progressistas do nosso país não conseguiram dar um rumo coerente uma orientação definida de como deveria seguir o país, se atrapalharam no radicalismo, clientelismo, e não combateram a corrupção como era de se esperar”.

Então o povo teve que escolher o menos ruim, e se escolheu um candidato igualmente despreparado para assumir a presidência, com traços autoritários e até fscistóides.

Enquanto se estabelece uma polêmica generalizada, fica o país entregue à estagnação ou em marcha lenta.

Não acredito, mas como cidadão de meu país, torço pelo seu sucesso.

P.S. – Dedico essas páginas a uma pessoa que pouco conheci pessoalmente, mas que muito admiro seus feitos, D. Maria de Lourdes, esposa de Dr. José Audísio de Lima, que além de ser professora, soube criar sua família de forma exemplar. Tanto seu marido como todos os seus filhos estão entre as pessoas que mais gosto. Que ele tenha o seu merecido lugar de descanso.

Por PEPÉ PIRES FERREIRA

Engenheiro mecânico e advogado.

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