Os Correios e Telégrafos

A COLUNA DE FRANCELINO SOARES

AAh! tempos bons e saudosos, quando o recebimento de uma carta, em geral, trazia boas notícias, atualizando fatos vividos que eram contados com a naturalidade de uma “conversa escrita”. Tanto que a nossa Literatura traz casos recorrentes de epistolografia. Vejam-se, por exemplos, as que foram escritas e publicadas, de autoria de Machado de Assis (Epistolário, Correspondências) e Eça de Queiroz (A Correspondências de Fradique Mendes).

Mas as cartas que mais mexiam com os nossos sentimentos eram aquelas que eram trocadas por amores distantes… Tanto que, quando um carteiro se aproximava do endereço do destinatário, este fazia transparecer uma alegria súbita que o dominava. Já com os telegramas isso não acontecia… Estes eram, via de regra, condutores de alguma notícia não alvissareira: acidente, notícias sobre problemas mais graves e até de mortes.

Mas, os tempos mudaram, e nós fomos mudando com eles. As velhas cartas, nos tradicionais envelopes azuis ou nos com o timbre de “Via Aérea” foram substituídas pelos e.mails, whatzapp, facebook, messenger, twitter, hangout e semelhantes, e foram se tornando peças de museus.

A nossa primeira Agência de Correios, antigamente, era conhecida apenas como Correios e Telegraphos (grafia da época), muito antes de serem batizadas com os pomposos nomes de Departamento de Correios e Telégrafos e, mais recentemente, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Até que veio o malfadado “mensalão”. fator incipiente de uma corrupção maior que viria depois e que, de certa forma, contribuiu para a derrocada quase total dos correios nos seus moldes antigos.

Em Cajazeiras, já nos anos 30/40, a Agência (também era chamada de Posto) dos Correios ficava localizada na tradicional Av. Padre Rolim, já bem próxima do casarão do Dr. Juca Peba ou, mais precisamente, onde depois funcionou a Escola do Comércio e, hoje, funciona a E.E.E.F.M. Mons. Constantino Vieira.

Algumas lembranças que me são caras vêm do tempo em que trabalhei na Agência de Correios e Telégrafos (dois períodos: 1963/1964 e 1966/1967), em Cajazeiras, quando ainda existia o suntuoso prédio localizado no início da Rua Juvêncio Carneiro, que depois foi demolido para dar lugar à agência atual, construída para atender a um processo de “padronização”, em detrimento da nossa história arquitetônica. São lembranças de pessoas amigas com quem convivi nos Correios, embora “minha praia fosse outra”: colégios e emissoras radiofônicas.

Vão minhas homenagens, em forma de saudosas lembranças, aos meus amigos de repartição: Oliveiros de Oliveira Fernandes; Juarez Marques Galvão (APT / Agente Postal Telegráfico) e sua esposa Isabel (Belinha) Marques Galvão; Nicholson César e Silva, Efigênio Feitosa, Antônio Ferreira, Edrísio Lira, telegrafistas, num tempo em que as transmissões telegráficas ainda eram feitas pelo antigo e complexo sistema morse; Stela Rodovalho de Alencar e Nazuíla Sobreira de Queiroz, encarregadas da Tesouraria, em momentos distintos; Daniel e Antônio Batista, carteiros; Deusimar Cavalcanti, guarda-fios; Francisca (Francisquinha) Pereira Alves de Figueiredo e seu esposo Francisco de Sales Figueiredo, Terezinha Timóteo,  Nadir Marques Galvão, Tim  e Maricô Assis, Maria (de tal), Maria de Lourdes (Lourdinha), Ademir e outros. Eram  postalistas, carteiros, estafetas (entregadores de telegramas), condutores de malas, guarda-fios, operadores postais, atendentes e outros servidores, cujos nomes o tempo me fez esquecer.

A convivência com todos eles hoje me faz retornar a um passado em que, num tempo anterior ao advento da internet, os correios embalavam expectativas de notícias que nos vinham pelas mãos de carteiros e entregadores de telegramas. Bons e saudosos tempos!…

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