O tempo que não temos

A COLUNA DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

Desde que se colocaram pedras brancas ou pretas numa urna para os atenienses escolhessem entre enfrentarem ou se submeterem aos persas, há quase 2.500 anos, em que esse sistema de sucessivas eleições se escolhia e hoje, até com o não confiável sistema eletrônico de votação se escolhem a quem entregar os destinos de uma comunidade, povo, etc., a chamada democracia, do governo pelo povo e para o povo, aos poucos foi se estabelecendo como o meio mais confiável (ou menos inconfiável) de se governar, que teve o nome derivado lá da Grécia antiga e, até hoje, vai sendo a forma de se levar os destinos de uma nação, povo ou comunidade.

Agora, assim como Winston Churchill afirmou há mais de 70 anos, a democracia é o pior sistema de se governar, com exceção de todos os outros. O problema é que esse sistema pode descambar para a, já chamada por Aristóteles, demagogia. Um dos maiores demagogos do mundo foi Adolf Hitler, que, com sua oratória cuidadosamente ensaiada, tomou o poder de uma das nações mais avançadas do mundo, pôs em prática todos os seus delírios megalomaníacos e somente foi apeado do poder depois da mais devastadora guerra que o mundo já conheceu. Isso colocado da maneira mais legítima que se possa pensar. São os vícios da democracia.

Existe também o modo oposição de se comportar. Atualmente, a chamada direita, chegando ao poder – não vamos discutir os méritos, o modo em certos aspectos questionável (a prisão do maior nome da antiga ordem sem provas contundentes), a facada que a esquerda deu nela mesma,e outros aspectos – coube o ppel de esquerda de ser oposição ao atual governo.

E acho que a esquerda como oposição está se comportando? Como qualquer oposição de centros ou países muito menores e menos complexos costumam fazer. Desqualificar tudo o que está sendo proposto pelo governo, para depois, daqui a quatro anos, dizer que o governo foi mal e, nas próximas eleições, ver se elege algum representante seu para governar. E fica o governo desidratando quanto às suas propostas como se morassem noutro país.

O problema é que não temos tempo para esperar mais quatro ou oito anos, como disse recentemente o Secretário de Previdência, nosso Léo Rolim. Daqui a, pelo menos, três décadas, a população de idosos vai triplicar e o rombo dela vai assumir proporções de catástrofe.

No tempo de Lula, se tentou uma Reforma da Previdência. No tempo de Dilma, também. Depois, no meio ilegítimo governo de Temer, se voltou a essa reforma. E agora, com Bolsonaro, se tenta novamente botar adiante essa reforma e, desta vez, corrigindo as falhas que haviam.

Se fosse uma coisa ruim para o país por que os governos anteriores também tentaram fazer essas reformas?

Aí vêm as mazelas da democracia. O que não é vantajoso para quem tem algum tipo de poder, seja Executivo, Legislativo ou até Judiciário, fica-se obstruindo ou dificultando o que se deve fazer. Nada de pensar o país. Todo mundo que tem algum poder, para o bem ou para o mal, fica tentando ditar os termos ou – o pior – esperar que se passem mais quatro anos para, com sua equipe, se tentar uma solução.

É um tempo que não temos.

Fico.

P.S.: Dedico essas mal traçadas a um dos meus parcos leitores: Edson Soares. Quem eu tenha a satisfação desses parcos serem como ele. Obrigado pelo tempo perdido me lendo.

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