O resgate da Cultura

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Li na última edição de nosso semanário, uma citação a meu nome escrita por meu confrade da ACAL, Gildemar Pontes, que apresenta uma frase criada por mim há quase dez anos, de que “Cajazeiras está a merecer esse título de ‘terra da Cultura’”, e que hoje essa afirmação não espelharia o momento que estamos atravessando.

Como se diz nas missas ao proclamar o Evangelho: “Naquele tempo”, Cajazeiras talvez ainda dispusesse do antigo Teatro Ica, em sua formulação original, mas eu como um dos poucos frequentadores, contava vinte trinta espectadores, nas apresentações que lá eram levadas.

De lançamento de livro somente se lançavam alguns, muito poucos, que poderia citar “O Pão da Memória” de meu amigo Cabral, professor da UFPB campina Grande, e mais outro título, como uma dissertação de mestrado de uma professora de Escola Técnica, que me convidou para o lançamento. Era sua dissertação de mestrado publicada como livro, e alguns poucos sinais de vida cultural, com escassa divulgação.

Depois veio a reconstrução do Teatro, e a prévia demolição do antigo (nem tanto assim – menos de quarenta anos não poderíamos dizer que já era antigo) que mesmo reconstruído e como está, o mais moderno teatro do Sertão, deixou um vácuo de tempo que está sendo difícil de recuperar, mesmo com o “renascimento” das nossas artes cênicas que hoje ocupam nosso moderno. Se perdeu quase oito anos, que se deixou de formar atores e plateia.

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É preciso se dizer que durante esse longo tempo, nossa cidade não esteve “deitada em berço esplêndido”, houveram vários movimentos que subsistiram, como a “dança de rua”, o NEC da UFPB/UFCG funcionou todo esse tempo, Mestre Baiano e sua escola de capoeira atuavam por essas bandas, as escolinhas de futebol (futebol também é cultura) sempre de forma muito descoordenada, esse período, apesar de escuro, não era de negritude total; agora, me vem à lembrança uma reunião que tivemos, o “setor cultural”, no Leblon, em que reunimos umas vinte pessoas, organizada por Rivelino Martins, que nem era vereador ainda, em que Adriano (macaco) Pereira, falou que a gente devia pelo menos assistir aos trabalhos apresentados pelos outros, que mesmo pouca gente indo, ainda tinha o fato de que não se ir a apresentação de nossos concorrentes, ou os que não frequentassem nossa igrejinha.

Então; começaram a aparecerem as mudanças: um governo que era mais sensível à área da cultura, um secretário de fora dessas nossas disputas paroquiais, que exigiu que o FUMINC fosse todo repassado, a conclusão do teatro, a fundação de uma editora em cajazeiras a Arribaçã (já haviam outras, mas sem muita repercussão), e para coroar, a cereja do bolo, a eleição e posse dos membros ACAL, Academia Cajazeirense de Artes e Letras, que veio a “temperar” o caldo de cultura, fazendo com que nossa cidade vivesse, como está vivendo, uma espécie de “renascimento cultural”. O teatro funcionando, outros espetáculos acontecendo, livros sendo lançados, o Festival de cinema Açude Grande, muita coisa enfim.

Mas como eu dizia no início: Agora podemos dizer que Cajazeiras é a Terra da Cultura? Na minha opinião ainda devemos esperar, ou na realidade, devemos trabalhar, somos uma cidade pobre, distante dos grandes centros, e ainda resta muita ignorância para ser superada, Mas já estamos vendo uma luz no túnel; agora não dá para perceber se é o fim do túnel, ou se é um trem com o farol aceso vindo em nossa direção.

P.S. Dedico essas mal traçadas a uma pessoa que nutro por ela carinho e admiração, Cristina Moura, que consegue fazer do nada uma crônica que dá gosto de ler, e que por essa ocasião nos honra com sua visita. Seja benvinda Cris. Você seria uma acadêmica maravilhosa, pena que esteja trabalhando para os capixabas, sorte deles.

ELIANE BANDEIRA

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