O passado e o futuro

A COLUNA DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

Assisti a tumultuada entrevista do Ministro Paulo Guedes e uma das suas frases que mais marcaram, dita repetidas vezes, foi: “O Brasil gasta 10 vezes mais com Previdência do que com a Educação. Estamos financiando o passado, ao invés de estarmos investindo no futuro.”

Apesar da esperada e conhecida hostilidade por parte dos petistas, que já não conseguem fazer aquela oposição do passado, onde todo mundo era – menos eles – picareta, e, agora, eles mesmos como picaretas desde que foram Poder e tiveram que negociar para terem seus projetos aprovados, eles próprios não tivessem se tornado os picaretas, assim como Luiz Inácio, um presidiário (com uma prisão bastante questionável, mas preso).

A Reforma da Previdência passa por uma barreira quase insuperável, que é o corte de privilégios de privilegiados, que funciona mais ou menos assim: pode-se cortar todos os privilégios dos outros, desde que os meus permaneçam. Quem vai ter a tarefa de cortar essas aposentadorias milionárias em grande parte, são exatamente os que ou já recebem ou estão na fila para receber essas mesmas aposentadorias que estão em pauta para serem votadas. Ou seja: vai ser prejudicial a eles mesmos.

Então, e em muitos casos, existe todo um lobby, na minha opinião altamente sofisticado, para que essa Reforma da Previdência vá sendo adiada, como sempre foi sendo. Teve a de Fernando Henrique, que deve ter sido engavetada, ou apenas uma pequena parte dela virou Lei; a do PT que, naqueles tempos, segundo a mandatária de plantão, a incompetente Dilma Rousseff, não conseguiu ir adiante. Olhe, caro leitor, a chamei de incompetente porque nem seu mandato ela conseguiu segurar, avalie os graves problemas nacionais.

Agora, vem o Governo Bolsonaro, que deu um, vamos dizer, aperfeiçoamento no projeto de Temer, mas já com outras reservas, deixando os militares de lado, e sofre críticas dos que estão por baixo do poder. Agora, o que não aparece é uma área do nosso espectro político que se reúna e deixe de lado os seus privilégios e vá pensar no País como um todo. Poucos e raros seres dessa natureza chegam ao Poder. A própria carreira de político tem algumas características que tende ao carreirista político se desvirtuar pelo caminho. Teve, como os de hoje terão, que fazer concessões a determinados grupos que, possivelmente, terão seus privilégios mantidos ou, se os perderem, a perda terá sido mínima. Tal coisa ocorre desde os primórdios de nossa História, remontando ao período Colonial, à Monarquia e, de alguma forma, se mantendo na República.

Precisa se reformar a Previdência, sim, quase todo mundo concorda, mas às custas de quem? De todas as outras vezes, a conta foi apresentada ao povo.

Agora, não deixa de ter méritos, como bem o disse o Dr. Leonardo Rolim (nosso conterrâneo) que, na entrevista, ficava assessorando o ministro: “Quem recebe muito, vai perder muito e quem recebe pouco, vai perder pouco.” Não sei porquê, mas dessa vez eu tenho vontade de acreditar…

Que nosso futuro seja alvissareiro para todos nós tripulantes e passageiros de nossa Navis Brasilis!!!

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