Certas imagens do passado vão ficando impregnadas em nossas mentes, servindo, às vezes, de inspiração para o nosso viver no dia a dia. Vez por outra, em minhas viagens rememorativas de um tempo que ficou no passado, encontro-me de repente passeando pela calçada em torno do Grupo Escolar Monsenhor Milanez, berço primeiro de minha instrução acadêmica.

Quantos dos meus leitores também assim não vivenciam, ainda hoje, as boas lembranças da vida escolar?! Algumas vezes, questiono-me: serão somente lembranças ou serão também saudades que se vão armazenando nos recônditos do meu íntimo?… Chego, então, à conclusão de que são as duas coisas que se unem em uma só vontade: a busca do tempo que passou.

Mas… fazer o quê? Apenas, contentar-me em tentar trazer para essas viagens aqueles que, como eu, gostam de cultivar o passado, os dias idos e vividos.

Saciando essa sede de reminiscência, por acaso, parei a contemplar a imagem que ilustra a coluna de hoje: a foto data de 1933, exatamente o ano em que foi concluída a construção do nosso Grupo Escolar, cujas obras haviam sido iniciadas em 1931.  Por ali, não havia mais nada: somente o campinho fronteiriço cujo progresso fez erguer o Xamegão de hoje. Se muito, já havia, ao lado, a sede do TG-234.

Era um tempo em que, felizmente, não havia a corrupção que foi escancarada pela Operação Lava-Jato. Foi o Dr. Ítalo Pereira da Costa – engenheiro civil, então executivo da Diretoria de Viação e Obras Públicas (DVOP) do estado da Paraíba (1931 a 1940), e posteriormente dos quadros do DNOCS (1945 a 1957) – que comandou todo o processo de construção de nossa mais conhecida escola pública da época. Eram, então, quatro salas de aula.

Um relatório da época fala das obras que “constaram de cobertura da caixa d’água, revestimento em cimento na calçada em torno do muro que circunda o prédio num total de 826 metros quadrados, colocação de vidros em todas as portas e janelas, confecção de dois mastros para bandeiras. […] O aspecto geral da construção quanto à solidez é bom; há, porém, alguns defeitos de acabamento: não foi empregado azulejo na seção sanitária, e nos encanamentos dos aparelhos sanitários foi usado material contraindicado…” Pela transcrição, o leitor já haverá notado que havia um sadio escrúpulo na construção da coisa pública e nas críticas que a elas eram feitas.

A propósito, o Dr. Ítalo, que conheci tempos depois, foi o responsável por outras obras públicas em nosso Estado, convindo destacar algumas delas: Lyceu Paraibano, na Capital; Grupo Escolar Rio Branco, em Patos;  Grupo Escolar João da Mata, em Pombal; Grupo Escoar Coelho Lisboa, em Santa Luzia;  Grupo Escolar Joaquim Távora, em Antenor Navarro;  Grupo Escolar de Piancó;  Grupo Escolar de São José de Piranhas; Grupo Escolar de Misericórdia, para falar apenas de alguns construídos sertão a fora. Foi sob sua supervisão também que foram construídos, em Cajazeiras, os açudes Guaribas, Mastruço e Lagoa das Baraúnas.

Foi-se o tempo em que obras dessa natureza eram construídas sem alarde e sem festanças como hoje sói acontecer. Tinha-se em vista quase tão somente o bem público. E hoje? Creio que, com raras exceções, tem-se em vista apenas o bem promocional de alguns – felizmente poucos – homens públicos, que fazem da atividade política uma vitrine para ostentar suas vaidades individuais.

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