O Flamengo e a Bíblia de Maria da Paz

A COLUNA DE EDUARDO PEREIRA

Estava vendo o jogo Brasil x Argentina, no último dia 15, na Arábia Saudita, pela Globo, quando Galvão Bueno, o hoje infartado, narrava um lance mais ou menos de perigo a favor do Brasil, e, de repente, fala: “Veja hoje, Maria da Paz vai a cadeia visitar sua filha…”. Lógico que se tratava de propaganda de telenovela, mas eu fiquei entre o lance do jogo e a estranheza do nome Maria da Paz. Eu lá sei quem é Maria da Paz! Depois soube que ela levaria uma bíblia para sua filha.

Fiquei falando comigo mesmo sobre Brasil x Argentina: Oh, Maria da Paz, levai concórdia nesse jogo de guerras históricas. Baixai as graças bíblicas sobre os pés de Gabriel Jesus para não perder mais um pênalti, e que Messi não evoque as bênçãos do Papa argentino Francisco para cobrar mais uma penalidade.

Continuei: Fazei, Maria da Paz, com sua bíblia abençoada, que Tite, técnico, faça o sinal da cruz em direção a William para baixar-lhe criatividade, a criatividade de William Shakespeare no teatro do foot ball.

Prossegui: Oh, Maria da Paz e sua bíblia, rezai, orai pela pátria de chuteiras, país das ex peladas de rua de onde saíam garotos de pés descalços para o estrelato de craques, hoje incubados como pintos de granja em escolinhas de futebol, pagas a peso de ouro e com destino ao futebol europeu.

Estendi: Com cinco derrotas consecutivas, Maria da Paz e sua bíblia, Tite correrá o risco de ser despedido (depois foi salvo pelo gongo com a vitória sobre a Coreia do Sul) e o único milagre da ressurreição do futebol a encantar a seleção brasileira será a conclamação de um novo técnico. E seu nome, fugindo a regra de um nome nacional, será o coirmão português Jorge Jesus, conclamado pela Nação Rubro-Negra. Sei que muita gente me crucificará.

Hoje, sábado 23/11/2019, o clássico Brasil x Argentina volta a se duelar cubisticamente. Como vascaíno, torcedores anti flamenguistas me condenarão porque torcerei pelo Flamengo e volto a conclamar a bíblia de Maria da Paz para abençoar os pés de Gabigol, e que os artilheiros do River Plate não evoquem as bênçãos do Papa argentino Francisco para balançar as redes do Flamengo.

Oh, Maria da Paz e sua bíblia, rezai, orai pela Nação brasileira de flamenguistas fanáticos, doentes, para que eles estufem o peito e gritem: uma vez Brasil, sempre Brasil.

Oh, Maria da Paz e sua bíblia, rezai, rogai para que o hoje brasileiro, ex português, Jorge Jesus, seja infinitamente superior ao Jorge Papa argentino Chiquinho.

Em tempo. A novela A Dona do Pedaço terminou ontem e dizem que o final foi inusitado. Trágico. Que todos nós que estamos torcendo pelo Flamengo não tenhamos a final trágica de 1950 no Maracanã, Brasil x Uruguai.

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *