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O final

POR RAFAEL HOLANDA

Amigos e irmãos, nós estamos curvando a parte primordial do tempo, e não somos mais os jovens do antigamente que viviam dezoito horas, das vinte e quatro que o tempo nos oferecia. Por isso pedimos a Deus que nos permita que o tempo seja feita por meios de dores e sofrimento; por isso imploramos que fosse a bengala dos nossos passos, a luminosidade do caminho, para que em momento algum nos sinta sozinho.

Senhor abençoa o nosso entardecer, para que o canto da solidão não venha fazer de sentimentos profundos que desfazem as belas imagens da vida, um painel de uma nebulosidade sem igual.

Enfeita os nossos momentos, as coleções de saudades que guardamos de forma silenciosa dentro do coração para que quando o tempo nos tentar ocultar do presente eu possa recorrer das memórias passadas.

Não desperte a velhice de forma enfadonha e negligente com os nossos atos, não permita que os olhos venham esquecer a beleza que se faz presente a cada momento.

Que a mesma maneira que mostramos a arte de amar, nos seja dada o direito de ser amado, que as mesmas lágrimas que enxugamos no passado possam de forma amorosa enxugada durante o nosso choro sem razão.

Permaneça ao nosso lado para que nos primeiros tombos em decorrência da fraqueza das pernas possam ser de maneira abençoada protegida pela mesma mão que seguramos visando à aprendizagem dos primeiros passos.

Sei com certeza que quem faz o bem, o bem lhe será retribuído de tal maneira nas curvas que a vida tem em seu significado; sei que o que fere tem a capacidade de esquecer, porém o ferido lhe compete o direito de revidar ou perdoar.

As belas coisas da vida nascem com a semente do perdão, não há coisa melhor do que deitar no esplendor de uma consciência tranquila, que exerce ação benéfica aos cansaços de um dia laborioso.
O espaço da bondade é estreito, a sua porta não consegue receber aqueles que fingem beneficência e por trás se escondem em pele de lobo, a porta do mal é larga e suficiente para que muitos possam ultrapassá-la.

Não esperamos que os outros façam por nós o que conseguimos realizar durante toda vida, não queremos assumir compromisso para cobrar as bondades de ações, pois o livro celestial por si só já escreveu.

Nada tem a capacidade de ser perdido, nada se perde por caminhos, algumas coisas sofrem modificações e outras se transformam , mas no final de cada julgamento o panorama será sempre o mesmo.

Por RAFAEL HOLANDA

Médico e escritor. Reside em Campina Grande-PB.

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