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REFRESCO

O disco

ALMANAQUE [REFRESCO]

Os Penetras: Paulo Antônio, Lobisomem, Cesário, Dedé Bundão, De Jones, Boca de Véia, Júnior, Cara de C*, Nêgo e mais o Sindicalista Jairo Palmeira, resolveram, mais uma vez, fazer uma serenata.

Só que, entre a turma, nesse dia, encontrava-se o grande Adalmir Coelho, o pivô dessa história. Na época, possuidor de uma vespa (lambreta), nas suas andanças pelas ruas da cidade era conhecido como o Playboy dos Pobres, por paquerar as garotas ou por andar feito louco com a máquina.

Acontece que, dias antes, ele sofrera uma violenta queda da moto, ficando com a perna direita engessada por bastante tempo. Mesmo assim, não deixava a mania de jogar o seu charme às meninas.

Enfim chega o dia da seresta. O Penetra Paulo Antônio conseguiu, com muito esforço e dificuldade, o novo disco do cantor Paulo Sérgio, ídolo naquele tempo. Quem não se lembra do sucesso da letra que dizia assim: “Esta é a última canção que eu faço pra você…”? Encontrado o long play, logo foi entregue a Mimi (apelido do Adalmir) com muita recomendação por ser novo e emprestado.

– Não se preocupem: levarei comigo na moto com muita segurança, disse o Playboy.

Enquanto ele seguia na sua Vespa para o local determinado da serenata, vinham logo atrás, de carro, os Penetras. Nas proximidades da Rua Padre Rolim, o paquerador resolveu flertar com algumas meninas que se encontravam na calçada. Aí, não deu outra: a motocicleta desgovernou no calçamento, indo de encontro ao meio-fio, não dando chance para controlá-la…

A queda foi inevitável. Foi terrível! A perna engessada, que já estava “podre” e com problemas, ficou pior: sangue, feridas, hematomas e gemidos, eram tudo o que se via e ouvia do acidentado no solo.

E o disco do cantor Paulo Sérgio? Disco que o Penetra Paulo Antônio conseguiu com muitas dificuldades? Nem pensar: ficou reduzido em pedaços!

Nisso chega o carro com os Penetras. Vendo a tragédia e a desgraça de Mimi, ainda no chão, gemendo, se contorcendo de dores, o Penetra não teve dúvidas: partiu pra cima do Playboy, puto da vida, vermelho de raiva, e começou a bater sem piedade, dizendo:

– Vou lhe f@%&#, seu porra, seu filho da puta! Você podia morrer, ir para o inferno, mas o disco você não podia deixar quebrar!

DO LIVRO ‘OS PENETRAS’, DE JOSÉ MIGUEL LEITE JÚNIOR

Por REDAÇÃO

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