O diálogo de surdos

A COLUNA DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

REPRODUÇÃO: TV GLOBO

Infelizmente o nosso país entrou numa polarização que chegou definitivamente à irracionalidade. O que está acontecendo no Brasil é um verdadeiro diálogo de surdos, onde todos se acham detentores da razão absoluta, e o outro lado está completamente equivocado.

Primeiro, numa atitude como que articulada, se criou uma catedral gótica de arte singular no mundo jurídico para tirar da disputa o candidato mais “cacifado” da esquerda, e para a direita mais radical conseguir colocar um presidente, mesmo porque a novidade que havia na política do Brasil nos últimos tempos (de trinta anos para cá), era o PT, mas o sujeito que tinha liderança e popularidade sempre foi Lula, que é maior do que o PT, e a frase não é minha mas de Vargas Llosa, ele apesar de ter o apoio da esquerda, nunca foi um esquerdista, fez uma coalizão, e governou como um Getúlio de poucas letras, e fez o tal “governo populista”.

Terminado seu tempo, como seus colegas mais capacitados(?) do PT já estavam todos mergulhados no lamaçal do mensalão, ele teve que ungir uma tecnocrata incompetente para o governo; só sobrou a Dilma, que tentou fazer um governo mais ao lado, assim “petista”, com todos os erros e falhas que a esquerda radical cometia e comete.

Para contrabalançar a isso, as direitas que sempre foram unidas (o tal mercado), mas que nunca emplacavam um candidato viável, conseguiram, de uma forma sem precedentes, eliminar o candidato mais popular das “esquerdas” e num feito admirável, que deixaria o próprio Maquiavel estonteado de admiração e por sentença com pouca materialidade, conseguiram colocar Lula na prisão, e ele e o PT, não conseguiram, um pouco porque não quiseram, emplacar um candidato, e a direita mais radical ungiu seu candidato, com a ajuda tanto do PT, quanto da facada que na mina opinião o PT se foi responsável, deu em si mesmo. Nos debates, Bolsonaro, por mais ensaiado que fosse, iria perder, e de feio.

Então, Jair Bolsonaro, que eu sempre notei algumas semelhanças comigo mesmo, eu como ele, somos extremamente eficientes em apontar onde está a ferida, mas somos incapazes de opera-la, eu sempre achei um contraponto muito bom para os excessos dos intelectuais do PT, mas para governar o país, nós precisamos é de um político-gerente,  um executivo na presidência, não um polemista que passou vinte anos criando celeuma, e que tem ideias da metade do século passado, quando os generais tomaram o poder.

Como na democracia, não se pode, eliminar fisicamente os adversários; até se tentou, com a tal facada, a dita “esquerda” fica com uma estratégia, de não deixar que o governo tenha as condições de dirigir o país como se deve, esperando as eleições de daqui a três anos e meio, saiam vitoriosas, enquanto a dita “direita”, não consegue emplacar seus projetos “a la Donald Trump”,  pois tanto lá como c;á esses são impraticáveis, a grade diferença é que enquanto na matriz, os pilares democráticos estão em bases muito sólidas e a situação econômica é bastante estável, os USA aguentam, como estão aguentando um direitista radical como Trump, Que nem conseguiu, nem vai conseguir fazer o muro com o México, nem conseguiu nem vai conseguir acabar com o “Obama care”, que originalmente é um projeto de republicanos que Obama implementou.

Então fica estabelecido o diálogo de surdos, em que ninguém consegue tirar o país do atoleiro em que se meteu, pois carece de liderança confiável, nem se consegue fazer outro impeachment, como o da fraquíssima Dilma.

Assim, os 10 % da direita (o mercado) não consegue por seus delírios em prática, nem a esquerda (os outros 10% da população), sem o poder, relegada ao papel que sempre soube exercer, de oposição radical, também não tem como atuar com desenvoltura, no Brasil, s sobre para o restante dos 80% do país que não tem essas veleidades doutrinárias, e sofre com o desemprego, o arrocho fiscal, as mudanças que não mudam, ou seja pagando a conta dos excessos dessa minoria.

Se esquecem uma das máximas de um dos maiores líderes da história contemporânea, Nelson Mandela: se você quer trégua, pode conversar com seus aliados, mas se o que se quer é paz, tem que dialogar com seus inimigos, ele conseguiu, e é o fundador de uma nação, a África do Sul, exemplo para o mundo, aqui, não se consegue algum diálogo produtivo nem em redes sociais.

Fica como a discussão de uma vascaíno e um flamenguista em mesa de bar, um tentando convencer o outro a mudar de lado, depois que parei de beber, acho ridículo, só em bebedeira mesmo.

O problema é o povo, mas como dizia Justo Veríssimo, “o povo é apenas um detalhe”.

Espero que sobrevivamos, mas muita gente vai morrer até lá, mesmo de fome ou desespero.

P.S. – Registro o falecimento da segunda esposa de meu pai, Ilma P. Rodrigues, que tratou muito bem ele no seu tempo que foi acometido de Alzheimer. Foi um tempo triste doloroso e deprimente. Espero morrer antes desse doutor começar a me tratar.

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