O começo da missão

A COLUNA DE SAULO PÉRICLES BROCOS PIRES FERREIRA

Sexta-feira passada aconteceu uma coisa que, espero, tenha o condão de fazer com que nossa cidade vá ao reencontro de sua verdadeira vocação: a posse dos membros fundadores da Acal – Academia Cajazeirense de Artes e Letras, onde, não por méritos meus, mas de minha patronesse, ou como disse Gildemar Pontes, “Mãinha”, e aqui nessa cidade não encontro nem sei se nessa curta vida vou encontrar alguém que tenha uma mãe como Íracles Brocos Pires Ferreira. É uma responsabilidade que, sinceramente, quero estar à altura do seu vulto, coisa que, naturalmente compartilho – acho – com Tantino Cartaxo (filho de Cristiano Cartaxo) ou com Sebastião Moreira, cujo patrono é o maior de todos, o Padre Rolim.

Mas, para não sair do assunto, há muito tempo eu não via reunido nessa cidade, tantos e de tão grande valor. Pois, de uns tempos pra cá, eu nem me dou ao luxo de comparecer aos “bailes do reencontro” para rever pessoas queridas, reconheço, mas as mesmas, terminou o baile, voltam para suas casas ou para suas cidades e se volta mesmice de antes da festa, restando somente a ressaca como consequência.

Semana passada, o conjunto de personalidades era do mais alto nível que se reuniu nessa cidade que eu tenha notícia. E coloco junto, mesmo, as antigas semanas universitárias que, uma vez, reuniu João Agripino e Ernani Sátyro, um ministro e ouro governador em exercício. Esse encontro foi viabilizado pela minha patronesse, que foi matéria na revista Veja. Agora, apesar de o governador não vir (talvez a falta de conhecimento ou de sensibilidade tenham concorrido e ele mandou seu secretário de Cultura representá-lo), a soma das personalidades presentes era de uma representatividade que, na minha humilde opinião, nunca se juntou na Terra que Ensinou a Paraíba a Ler.

Vamos dizer que o 1º Congresso Eucarístico, no final dos anos 30, que se juntou tantos bispos e governadores que até hoje se vê a coluna na antiga Praça do Congresso, hoje Praça Dom João da Mata, tenha reunido tantas e altas personalidades. Mas nem eu era nascido. O tempo já apagou a maior parte de suas marcas e não se vê grandes consequências dessa efeméride histórica.

Quem não estava lá certamente perdeu um momento a ser registrado na História de nossa cidade e feito justamente por seus filhos e para homenagear seus maiores vultos. Eu me senti apequenado e como que pensando o que eu tinha feito para estar lá.

Como nada é perfeito, ficou faltando a foto onde se deveria registrar todos os membros e haver uma apresentação formal de uns membros a outros; pelo menos um eu não conhecia. Mas, de qualquer maneira, eu conheci o hoje colega Eli Santana Sobral, neto de Maestro Rivaldo Santana e filho de Irapuan Sobral, duas pessoas que sempre admirei e que, em seu nome, saúdo todos os acadêmicos.

Bem, como se diz no final da cerimônia eucarística católica: finda a missa é o começo da missão. Aí é que nós seremos testados pra valer e a missão é imensa: fazer com que Cajazeiras faça por merecer o título de Terra da Cultura, o que, nesses tempos recentes, sinceramente não acho que façamos jus, o que se reflete na nossa produção cultural, que depois de um período de decadência, experimenta como que uma sacudida e a fundação da Acal pode ser uma nova arrancada para que reconquistemos nosso antigo posto.

Agora, mãos à obra. Essa missão pode ser fascinante!

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