Maringá, o nome verdadeiro


CLEMILDO BRUNET

A importância desse livro é o seu conteúdo não como história e sim como literatura. A história tem suas vertentes e modos de interpretações com versões que variam entre autores e escritores. Esse trabalho literário é um espaço aberto para discussões, pois Severino Coelho Viana de forma democrática deixa fluir o pensamento dos que não aceitam que a cabocla Maringá existiu e faz uma revelação surpreendente: Maringá não só existiu, mas também tem uma identidade.

Em outra oportunidade escrevendo sobre esse assunto, eu dizia: A controvérsia entre os homens é de suma importância, porque ela favorece em muito a liberdade de expressão. Existem histórias e (estórias) no seio da humanidade e daí nasce a divergência entre várias fontes, que fornecem elementos para a formação do pensamento e finalmente para a conclusão do raciocínio. Vai depender justamente da leitura que se faz sobre o acontecimento e dos personagens nele envolvidos.

Outro fato revelador nessa história é o aparecimento de um terceiro personagem que forma o triângulo amoroso entre dois homens apaixonados que disputavam o amor de uma mesma mulher. Cel. Manuel Arruda de Assis que nasceu no dia 03 de janeiro de 1889 e Ruy Carneiro que nasceu no dia 20 de agosto de 1901, três anos apenas de diferença de idade entre eles, significa dizer que foram contemporâneos, numa mesma cidade passaram pelo transcurso normal da infância e adolescência. Só na fase adulta tomaram rumos diferentes.

O que diz o livro à pagina 149…
As circunstâncias indicam que havia uma disputa pela mesma mulher entre Manuel Arruda de Assis e Ruy Carneiro, no tempo da mocidade e que perdurou por um determinado tempo, inclusive, com externação de ciúme, sendo que ambos não realizaram a plenitude desse romance, que acabou num amor frustrado.

O nome verdadeiro de Maringá é Ana Dantas de Alencar, conhecida por Nina, filha de Argemiro Liberato de Alencar e Maria Malfada de Alencar, filha do segundo casamento, pois seu pai casou-se quatro vezes, nasceu e se criou no sítio Estrelo. Casou-se com Renato Maciel, teve dois filhos, Ramon e Ronaldo. O primeiro, bancário e segundo, engenheiro, morou no bairro da Torre – João Pessoa, e terminou seus últimos dias em cadeira de roda. O pai de Nina era um fazendeiro e tinha comércio de algodão na cidade de Mossoró-RN, além de ter sido membro do Conselho Municipal de Pombal.

Certamente o livro “Maringá, o nome verdadeiro” irá despertar interesse dos pombalenses que desejarem ir fundo nesse assunto, haja vista o acréscimo de fatos históricos revelados nessa nova versão que foram bem delineados com o tirocínio sagaz e inteligente de seu autor. Severino Coelho Viana pesquisou, colheu informações de fontes fidedignas, evocando depoimentos e testemunhos de escritores da estirpe de um Irineu Pinto, Wilson Seixas, José Américo de Almeida, Verneck Abrantes, Joaquim Osterne Carneiro dentre outros.

Se Pombal na Paraíba passou a ser conhecida a partir de 1932, início dessa história, até internacionalmente na canção Maringá, agora nesse novo milênio poderá muito mais se encher de orgulho, pois a história da cabocla Maringá não é lenda e sim fato que tem registro na história. Como bem disse Severino Coelho: Ela existiu e tem nome verdadeiro.

Não é sem razão que se diz: Pombal, Terra de Maringá!

No Comment

Leave a reply

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *