Manias de leitura

A COLUNA DE EDUARDO PEREIRA

Cada um tem a sua. Há variedade interessante. O mais comum é sublinhar frases, parágrafos, passagens que chamam a atenção.

Letícia, minha filha, não sublinha mas anota em caderno frases que lhe encantam. E quando gosta de um autor quer ler todas suas obras. Já leu tudo do best seller norte americano Nicholas Sparks. Agora está devorando as obras do cronista Rubem Braga na minha esteira. Como eu e Maurinete, a mãe, não dorme sem ler antes. Maurinete não sublinha nada. Pega a leitura de um livro de uma tacada só.

Costumo ler de dois a três livros paralelos. Por exemplo. Agora estou lendo a biografia de Assis Chateaubriand (sim, agora! Muito boa), O Conde e o Passarinho de Rubem Braga e o segundo volume dos Ensaios de Montaigne (minha edição são de dois volumes).

O filósofo francês leio quando estou sem sono de madrugada; o cronista capixaba principalmente quando bebo cerveja em casa e a biografia no restante dos horários.

Quando eu andava de ônibus – de há muito tempo – lia até em pé. Uma mão pegada no ferro de sustentação e a outra com o livro. A viagem passava depressa.

Não leio rápido. Sou um leitor de sorver palavras. De ficar encantado com certos parágrafos e relê-lo no mesmo instante.

As palavras que não sei os significados grifo e procuro as definições no dicionário minimizado no computador. Muitas vezes enumero-as e escrevo no pé de página suas acepções.

Gosto de ler apenas no impresso. Sei que o digital tem praticidade de leitura até em celular e facilidades de pesquisa de significados de palavras com simples toques de dedos e outros recursos fantásticos, mas mesmo assim não me seduziu. Aliás, nem a mim e nem ao mercado editorial. Dias desses li que representava apenas um por cento das vendas. Aqui no Brasil e lá fora.

Não tenho o fetiche do cheiro do livro. Para mim é irrelevante.

Tenho comprado mais pela internet do que em livrarias. Por razões de facilidades e de acesso a obras fora de catálogos.

Eu e Maurinete gostamos de ler no silêncio. Letícia lê até com fone de ouvidos escutando música. Coisas da juventude moderna.

Tenho um amigo que só lê livro em espanhol, comprado apenas em sebos, de até vinte reais e com mais de cem páginas. Outro tem a meta de ler vinte páginas por dia. Um outro objetiva ler um livro por mês.

Procuro não perder ver os programas sobre literatura Globo News Literatura; Arte 1 ComTexto do Canal Arte 1; Trilha de Letras da Tv Brasil e outros em rádio quando alcanço seus horários. Mas a internet é pródiga com esses programas. É só pesquisar e apreciá-los nos mais diversos estilos.

Para fechar. Presenciando o ciclo de debates Diálogos Contemporâneos – Teatro dos Bancários/Brasília – Fernando Morais, exímio biógrafo, falou que considera o livro Os Sertões (que ainda não li) uma das principais obras da literatura brasileira, se não a principal. Mas se tivesse sido seu editor cortaria as cinquenta primeiras páginas. Disse que são totalmente técnicas e difíceis de serem atravessadas. Mas o restante da obra é fantástico.

Pensando nisso ele ofereceu para leitura a uma adolescente familiar, mas antes retirou cuidadosamente as cinquenta primeiras páginas para não ser percebido. A garota leu e ficou encantada. Depois ofereceu o livro com as cinquentas páginas e ela não conseguiu passar da primeira página. Era intragável.

Falei isso para dizer que quando começo a leitura de um livro, por pior que seja, não o largo. Vou até o fim. Pelo menos argumento crítico embasado posso fazer.

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