Luiz Paulo da Silva (2)

A COLUNA DE FRANCELINO SOARES

RUA TENENTE SABINO ONDE SE INICIA O ESTABELECIMENTO DAS CASAS COMERCIAIS A QUE O TEXTO FAZ REFERÊNCIA (ACERVO DO PROFESSOR FRANCELINO SOARES)

Mesmo tendo nascido na zona rural de Cajazeiras, Luiz Paulo teve uma vida marcada pelo empreendedorismo. O seu primeiro “negócio” na cidade estava concentrado no seu empório de mercadorias, uma espécie de armarinho, estabelecido no centro da cidade. Era uma época em que os comerciantes saíam de Cajazeiras, nas boleias de caminhões mistos, transporte em voga na época, para, em Campina Grande, efetuarem as compras para reabastecimento de suas lojas e atendimento às necessidades dos seus fregueses… Em face do progresso do seu empreendimento comercial, Luiz Paulo, devido às suas frequentes viagens à Rainha da Borborema, tornou-se persona grata entre os campinenses, seus fornecedores, passando a ser tratado como o “Coroné do Sertão”. O fluxo de mercadorias era enorme: quase que semanalmente, lá se vinha o carregamento destinado à nossa cidade. As fábricas, empolgadas, confiavam-lhe a revenda de produtos Rayovac, alumínio IPAM, linhas Corrente e outros tantos.

No ano de 1963, com os filhos já crescidos, ele resolve estender o seu comércio, estabelecendo-se em Campina Grande. Era uma forma de facilitar o estudo dos filhos em centros educacionais, na época, mais avançados. Abriu, então, uma espécie de filial, com comércio atacadista, na principal artéria de Campina Grande, Rua João Pessoa. Os negócios, em Cajazeiras, foram então confiados a um gerente, a partir de 1964. Passou a viver, com a família, em Campina Grande, até quando recebeu notícias de que os negócios não “iam muito bem” nas mãos do tal gerente. Regressa a Cajazeiras, demite o gerente e reassume a loja. Já com boas condições financeiras, adquire um apartamento no ponto mais chic do Recife, a Praia de Boa Viagem, para possibilitar aos filhos uma melhor educação escolar, pois mantinha a ideia, como ele mesmo dizia, de que “a melhor herança que um pai pode deixar para os seus filhos é o saber”.

Já tendo reassumido os seus negócios em Cajazeiras, estabeleceu o seu Armazém Progresso na Rua Juvêncio Carneiro, nº 30, dando prosseguimento aos seus empreendimentos comerciais, chegando a abrir uma filial, cuja responsabilidade passou à sua esposa, Maria Furtado da Silva, na Rua Tenente Sabino, o Calçadão, local onde, entre outros comerciantes, pontificavam Murilo Bandeira, Antônio Mendes, Alvino Leite, Carlos Paulino, Aécio Lira, Horácio Alves Cavalcanti, Edson Feitosa, além de outros lugares pontuais de trabalho, como Alfaiataria de Sérgio David, Cartório de Zé Coelho, sapataria de João Cândido,  barbearia de Zezé, sapataria de Zé Cândido e os consultórios de Dr. Deodato, Dr. Otacílio e Dr. Dingo, além da tradicional Sorveteria Oriente.

Averso à política, Luiz Paulo, mesmo se filiando ao antigo partido UDN, nunca se aventurou em disputar cargos, mesmo sendo, para isso, instigado pelo líder João Agripino, secundado pelo advogado José Rolim Guimarães, seu amigo.

Hoje, Luiz Paulo, que nos deixou em 22 de julho de 1977, com a idade de 73 anos,  sucumbindo a uma mal sucedida cirurgia de próstata, no Hospital Albert Sabin, no Recife-PE, é lembrado através do nome de uma rua, localizada no bairro Esperança, graças a uma deferência do seu amigo vereador Constantino Nogueira, que, para isso, criou e fez aprovar, junto à Câmara Municipal, um projeto de lei, com esse objetivo.

Deixou-nos Luiz Paulo “um legado de honestidade, seriedade e responsabilidade e, acima de tudo, de amor familiar”, como o comprovam os seus filhos.

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